Paula Barreto e o ‘Amor de 4 +1’ nos tempos do cólera no audiovisual

Paula Barreto e o ‘Amor de 4 +1’ nos tempos do cólera no audiovisual

Rodrigo Fonseca

08 de maio de 2019 | 09h23

Linguagem cinematográfica no sangue: Paula Barreto produz série e tem dois longas inéditos para lançar no segundo semestre (fotos do bamba Marcos Ramos)

Rodrigo Fonseca
Com um pezinho em Truffaut e outro na tradição dos romances de geração (tipo “Todas as mulheres do mundo”), o universo retratado em “Amor de 4”, uma das séries de maior vigor dramático da grade do Canal Brasil, vai ter repeteco na televisão, tendo um afiado quatrilho nas mãos (Branca Messina, Carolina Chalita, Igor Cotrim e Nicola Lama) para uma temporada 0KM já em filmagem, em Búzios. É Marcelo Santiago (do ótimo “Vampiro 40º”) quem assina a direção, filmando no balneário do litoral do Rio: ele tem ainda um filme inédito para estrear este ano, “A mulher do meu marido”, com Luana Piovani e Paulo Tiefentaler. Ambos os projetos foram gestados sob os auspícios de uma das mais cuidadosas produtoras de nosso cinema, herdeira de um legado histórico do audiovisual: Paula Barreto. Filha do casal Lucy e Luiz Carlos Barreto, o Barretão, ela alterna projetos para a TV a cabo e para a telona, atenta às tormentas que hoje abalam o mercado, sempre buscando apoiar novos talentos e reforçar a importância história de talentos veteranos. Não por acaso, Antonio Pitanga é um dos áses do naipe de talentos de “Amor de 4 +1”, interpretando Ricardo, pai adotivo do personagem de Cotrim (premiado em 2018 no Cine PE pelo fulgurante “Os príncipes”). O seriado é para o segundo semestre, assim como o longa-metragem “Ela disse, ele disse”, um dos filmes de DNA brasileiro mais esperados do ano, baseado no livro de Thalita Rebouças, com direção de Claudia Castro. E ela ainda fuça livros e sites da web pesquisando novas ideias.

Barretão, diante do empenho de Paula, converte corujice em reconhecimento: “A Paula, quando estava na universidade, no curso de Comunicação, fez um curta como trabalho de curso. Ali, eu senti que existia uma cineasta nela. Mas seu temperamento levou-a pelos caminhos da produção.  Tornou-se uma produtora criativa.  Descobre assuntos, temas, acompanha o desenvolvimento do roteiro, frequenta o set nas filmagens, opina na edição e participa ativamente do licenciamento comercial do filme.  Tudo no modelo e estilo Lucy Barreto”, elogia o produtor.

Branca Messina e Igor Cotrim em “Amor de 4 +1”: nova temporada fica pé em Búzios

Na entrevista a seguir, ao P de Pop, Paula fala de televisão, da arte de filmar e do exercício de resistir.  

Como é a produção de uma série de TV pra quem vem de um histórico de longas-metragens? Paula Barreto: Já produzimos séries para tv há muitos anos, mais de dez anos, pelo menos, e a experiência no cinema só nos ajuda na TV. O que muda na prática nessa mudança de formatos? Praticamente nada. Para o cinema o nível de exigência técnica, pelo formato final ser a telona, é muito maior. O ritmo de produção de uma série é mais acelerado por causa desse nível de exigência técnica ser um pouco menor.

O que o Marcelo Santiago traz como diferencial de olhar sobre o afeto nessa série?
Paula Barreto: Marcelo é um diretor sensível, muito culto, e, por isso, aporta para a série um olhar único e diferenciado para o tema tratado na série. Fica claro que o amor é a única saída para os tempos difíceis que estamos vivendo.

Qual foi a maior lição de Lucy e do Luiz Carlos pra Barreto que a Paula virou no universo do cinema?
Paula Barreto: São muitas lições, mas, a maior delas acredito que seja escutar da sociedade seus anseios e tentar trazer esses anseios para as nossas produções. Não produzir projetos egoistamente, só pensando no que gostamos individualmente. Sempre me ensinaram a me perguntar antes de começar qualquer projeto: por que produzir esse filme? Para quem produzir esse filme?

Quais são seus planos para o cinema agora (que filmes) e que inseguranças o meio encara hoje?
Paula Barreto: Estávamos produzindo um reality com um canal a cabo em fase de assinatura de contrato que foi suspenso por tempo indeterminado. Um longa-metragem que filmaríamos agora em junho também foi colocado em espera por tempo indeterminado. Muito ruim para todos nós essa insegurança no mercado.

No último episódio de “Amor de 4”, a casa das primas Elisa (Branca Messina) e Flávia (Carolina Chalita) em Itaipava é posta à venda. Com dificuldades em conseguir um comprador, elas decidem trocar a casa por um imóvel em Búzios. Uma das novidades da nova temporada é o personagem Quique, surfista vivido por Gabriel Chadan, que chega para adicionar mais intriga na ciranda de afetos escrita e dirigida por Santiago. Aguarda aí que, logo logo, essas reviravoltas do querer chegam ao Canal Brasil.