Patricia Mazuy, ás do thriller trágico

Patricia Mazuy, ás do thriller trágico

Rodrigo Fonseca

06 de agosto de 2022 | 06h19

A cineasta francesa está na disputa pelo Leopardo de Ouro de Locarno

RODRIGO FONSECA
Elogiada pela revista “Cahiers du Cinéma” pela força imagética de sua imersão nos códigos das narrativas policiais em “Paul Sanchez Está De Volta” (2018), Patricia Mazuy refina seu estilo de retratar o crime em “Bowling Saturn”, thriller em competição pelo Leopardo de Ouro de Locarno. Sem medo da violência, a cineasta faz um ensaio sobre a fraternidade ao narrar o conflito entre um ambicioso oficial da polícia francesa, Guillaume (Arieh Worthalter), e seu irmão malandro, Armand (o ótimo Achille Reggiani). Os problemas entre eles começam quando o pai morre e deixa como herança um clube de boliche. Guillaume crê que deixar o negócio nas mãos de Armand pode salvá-lo do ócio e do erro. Mas…
Na entrevista a seguir, a diretora, que vai ganhar uma retrospectiva na Argentina em novembro, expande essa conjunção adversativa para o Estadão, falando sobre seu novo filme, que, nos EUA, vai se chamar “Saturn Bowling”.

Qual é a representação de família que você busca nessa historia?
PATRICIA MAZUY: É uma metáfora da selvageria do século em que vivemos, no qual a violência vem do que não é dito, do que fica em silêncio. Ações que caminham para uma solidão intrasponível substituem palavras.

E qual é a representação do crime que seu cinema traz?
PATRICIA MAZUY: Uma mirada trágica, que, aqui, é aplicada a uma cidade provinciana da França que tenta se comportar de modo cosmopolita. Lá, entre esses irmãos, o apartamento dos pais é um depositário de fantasmas. E os personagens travam uma relação especular de conflito.

De que maneira esse filme espelha o estado de coisas em que o cinema francês se encontra hoje?
PATRICIA MAZUY: Não sei se encontro um bloco de expressões autorais determinado na França hoje. O que eu vejo são esforços individuais de desenhar subjetividades nas telas. O que eu tento fazer nesse contexto é flagrar o trágico e depurar essa condição.

Arquitetada sob a curadoria de Giona A. Nazzaro, com foco na releitura de filmes de gênero, a programação de Locarno segue até 13 de agosto. Nesta quarta, o festival recebe “Regra 34”, de Julia Murat, que está no páreo pelo Leopardo de Ouro de 2022.

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