‘Parasita’ leva Cannes à ‘Tela Quente’

‘Parasita’ leva Cannes à ‘Tela Quente’

Rodrigo Fonseca

04 de julho de 2021 | 07h56

“Parasita” ganhou o Oscar de melhor filme em 2020

RODRIGO FONSECA
Às vésperas de se iniciar mais um Festival de Cannes, cuja 74ª edição arranca nesta terça, com inédito de Leos Carax (“Annette”) e Spike Lee na presidência do júri, a “Tela Quente” faz justiça ao seu legado histórico e exibe o ganhador da Palma de Ouro de 2019 – e de quatro Oscars em 2020 – na TV aberta: “Parasita”. O diretor sul-coreano Bong Joon-ho e seu ator-fetiche, Song Kang-ho, vão estar na grade da TV Globo às 22h35 desta segunda com seu aclamado “Gisaengchung”, que é título original desse filmaço. Seu sucesso de bilheteria surpreendeu exibidores: orçado em US$ 11,4 milhões, ele faturou US$ 259 milhões.
“Eu me considero um realizador de filmes de gênero, que lida com cartilhas próprias, mas que busca fugir de obviedades. E tenho um lado passional: quando ‘O hospedeiro’ foi lançado eu lembro de ter sentido muito ódio de filmes de monstro como o meu”, disse o cineasta na coletiva de imprensa dos vencedores de Cannes – e ele venceu com unanimidade do júri.

Hilário… pelo menos até o momento em que descamba para o derramamento de sangue, “Parasite” segue os passos de uma família de picaretas profissionais que inventam as mais estapafúrdias ideias para se esquivarem de guardas que podem prendê-los pelos delitos que cometem. O foco aqui é a realização de um crime específico: infiltrar toda o clã na casa de um casal de ricaços, que precisa de babá, de governanta, de motorista. Todos estão dispostos a fingir que vieram para ajudar: mas o que querem é conforto, dinheiro, prazer. Mas há algo de inusitado guardado no porão do casarão que eles tentam transformar em lar.
“Miyazaki, o mestre japonês da fábula animada foi uma grande inspiração para a minha vida e para ‘Okja’, que concorreu à Palma em 2017. Mas aqui, não, eu preferi um modelo coreano a fim de ter um parâmetro. Minha influência aqui não vem da carga de liberdade da arte de Miyazaki, mas de um diretor, coreano específico: Kim Ki-Young, que dirigiu ‘A criada’ e nos deu uma forma particular de representação”, disse Bong.
No Brasil, Hércules Franco dubla Song Kang-ho, que será um dos jurados de Cannes, chefiado por Spike Lee, ao lado do diretor pernambucano Kléber Mendonça Filho.

p.s.: ÀS 23h25, a Globo exibe em seu “Domingo Maior” o efervescente thriller “Atentado em Paris” (“Bastille Day” ou “The take”), com Idris Elba no ápice do carisma. O astro e diretor inglês vive um agente às voltas com um atentado terrorista na capital francesa. Richard Madden, Charlotte Le Bon, Kelly Reilly e o ótimo José Garcia completam o elenco. O ótimo Ronaldo Júlio dubla Elba no Brasil.

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