Paolo Virzì e as magias de Lido

Paolo Virzì e as magias de Lido

Rodrigo Fonseca

02 de setembro de 2019 | 20h26


Rodrigo Fonseca
Embora esteja embatucado com a sombria visceralidade de “Coringa” desde sábado, tendo experimentado, em paralelo, 90 minutos de encanto com “A lavanderia”, de Steven Soderbergh, a Itália que sedia o 76. Festival de Veneza – até o fim de semana – viveu hoje deliciosos momentos de orgulho de sua própria produção ao acompanhar o desempenho de Luca Marinelli em “Martin Eden”, de Pietro Marcello, na luta pelo Leão de Ouro. A saga de um marinheiro pobretão que sonha se tornar um escritor angariou fãs entre os críticos e os cinéfilos locais, podendo calar fundo no coração de um dos jurados do time chefiado pela cineasta argentina Lucrecia Martel: o diretor toscano Paolo Virzì. Em cartaz no Brasil com “Noite mágica”, o realizador de “Loucas de alegria” (2016) é o representante da autoralidade audiovisual da pátria de Fellini no júri do evento, que segue até o dia 7. Estima-se que Marcello possa ser uma aposta forte para o prêmio de direção. Cabe a Vizrzì, Lucrecia e os demais (o historiador Piers Handling e a diretora Mary Harron, ambos do Canadá; a atriz inglesa Stacy Martin;
o fotógrafo mexicano Rodrigo Prieto; e
o diretor japonês Tsukamoto Shinya) decidirem.

 “Meus filmes buscam propor alguma forma de observação do tempo, a fim de pode construir um canteiro de humanidades muito distintas, que busca um equilíbrio e uma interação num contexto onde todas as pessoas são definidas por códigos ultrapassados de normalidade”, disse Virzì ao P de Pop.

Não se sabe ao certo como o júri vai se comportar acerca do brilhante “J’Accuse”, de Roman Polanski, dada a antipatia que cerca o artesão franco-polonês por conta da acusação de abuso de menor em torno do nome dele. Já se ouviu chiadeira de Lucrecia. Mas Virzì já mostrou não ter subserviência ao passado. Pelo menos não ao de sua pátria. “Tenho profundo respeito pelo legado de Rossellini, Antonioni e os demais mestres da Itália. Mas admiração não deve ser um claustro, uma trama. Houve o neorrealismo, e ele é grande. Mas há outros movimentos, há outras Itálias”, disse Virzì num papo com o Estadão de 2016. “Há que se aprender com os grandes, não que se prender a eles”.
 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: