Os primeiros achados da Berlinale 2022

Os primeiros achados da Berlinale 2022

Rodrigo Fonseca

11 de fevereiro de 2022 | 13h19

Ruanda comparece no Festival de Berlim com “Father’s Day”

RODRIGO FONSECA
Ainda avassalado pelo furacão “Peter von Kant”, movido por um vento quente chamado Denis Ménochet, a Berlinale 7.2 abre o fim de semana sedenta pelo novo trabalho de Claire Denis, “Avec Amour et Acharnement”, mas já impactada por uma série de descobertas que injetaram alegria nas retinas das veias da capital alemã nos dois primeiros dias do evento. Até o dia 16, data em que a premiação julgada por M. Night Shyamalan se encerra, terá muita novidade pra chegar. Mas do que já brilhou, merece uma menção:
LA LIGNE, de Ursula Meier: Egressa de Besançon, França, a diretora de “Minha Irmã” (2012) afia seu olhar para as relações familiares apoiada numa Valeria Bruni Tedeschi mucho loca no papel de um musicista que processa a própria filha (Stéphanie Blanchoud) por agressão, restringindo-a a ficar a 100 metros de distância de sua casa, inclusive no Natal. A ceia dessa família é algo de bizarro.
GRANDE JETÉ, de Isabelle Stever: Um corajoso estudo sobre incesto a partir da relação entre uma professora de dança e o filho que ela não teve a chance de criar. É um roteiro sem medo algum de desafiar tabus. Aliás, essa parece ser a tônica dessa Berlinale.
FATHER’S DAY, de Kivu Ruhorahoza: Contradições sociais e tradições controversas de Ruanda se desnudam numa narrativa que faz a interseção entre três dramas familiares: a) o luto de uma mãe; b) uma jovem obrigada a cuidar de um pai que mal conhece; e c) um criminoso treina sua prole para seguir seu legado. É um filme de amor, sob um disfarce de geopolítica.
OCCHIALI NERI, de Dario Argento: Quer delícia foi ver o mestre do Giallo voltar a fazer o que sabe melhor – criar uma narrativa a um só tempo eletrizante, cafona, erótica e visualmente exuberante – ao remexer as cartilhas do assombro. Sua heroína é Diana (Ilenia Pastorelli), uma acompanhante de luxo que frequenta os hotéis da Via Veneto, e perde a visão em um acidente provocado por um assassino que persegue (e mata) prostitutas usando uma van para fugir. Uma cadela treinada para guiar deficientes visuais vai ser sua aliada numa narrativa sangrenta, banhada por uma trilha sonora frenética.

Sábado é dia de a Berlinale Shorts conferir o curta-metragem que pode render o Urso de sua categoria ao Brasil: “Manhã de Domingo”, de Bruno Ribeiro, exibido em janeiro na Mostra de Tiradentes. A sinopse fala da experiência de um encontro da personagem Gabriela com sua paz interior, numa reconciliação entre Passado e Presente a partir de uma entrega dela ao piano. O diretor conta ao P de Pop que o filme foi rodado no final de 2019, pouco antes da pandemia, e diz que Gabriela é vivida por Raquel Paixão, uma pianista em estreia como atriz. “Grande parte da equipe se graduou… ou ainda está na graduação, como é o meu caso… no curso de Cinema e Audiovisual da UFF”, diz Ribeiro. “Ele foi rodado no Rio de Janeiro, Magé e Niterói. Contou com o apoio de um edital da Secretaria de Cultura de Niterói. Eé o filme que marca o lançamento da minha produtora em conjunto com Adler Costa, Laís Diel e Tuanny Medeiros: a Reduto Filmes”.

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