Os piores e os melhores filmes de 2017: o ano de Nolan

Os piores e os melhores filmes de 2017: o ano de Nolan

Rodrigo Fonseca

28 Dezembro 2017 | 11h31

“Eu, Daniel Blake”: catarse marxista

Rodrigo Fonseca
Reduzir o cinema de 2017 ao caça às bruxas que se instaurou em Hollywood após o torvelinho de acusações de assédio iniciadas com o flagra de Harvey Weinstein e Kevin Spacey é assinar um atestado de cegueira e alienação estética. Apesar do ganho ético que este movimento de desvelamento de pecados simboliza, o audiovisual não se sustenta de polêmicas, e sim de tentativas de representação e experimentações. A lista a seguir vai incluir apenas filmes estrangeiros lançados em circuito ou projetados em sessões pagas, nas redes multiplex, antes de serem confiadas diretamente ao consumo doméstico (TV, NetFlix, Globo Play). Por isso, Me Chame Pelo Seu Nome ou A Forma da Água não estão aqui. O ranking nacional saiu aqui há cerca de 15 dias e elegeu Redemoinho, de José Luiz Villamarim, como o melhor e O Jardim das Aflições como o ponto mais baixo da curva. Agora é hora dos gringos…

Retrospectiva 2017

O PIOR

“Monsieur & Madame Adelman”: pueril

Monsieur & Madame Adelman, de Nicolas Bedes: Neste ano em que a representação do Feminino desfrutou de vitórias simbólicas de âmbito político há muito merecidas, este exercício pueril de ironia confunde empoderamento com castração, e parece uma vingancinha contra o Masculino. Desrespeitoso do começo ao fim.

O BONDE DOS PIORES

“Na Praia à Noite Sozinha”: uma equação do 2º grau sem poesia

Thor: Ragnarok, de Taika Waititi

Kong: A Ilha da Caveira, de Jordan Vogt-Roberts

Até o Último Homem, de Mel Gibson

Na Praia à Noite Sozinha, de Hong Sang-soo

Um Limite Entre Nós, de Denzel Washington

Neve Negra, de Martin Hodara

Atômica, de David Leitch

Com Amor, Van Gogh, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman

A Cabana, de Stuart Hazeldine

Uma Verdade Mais Inconveniente, de Bonni Cohen e Jon Shenk

 

O MELHOR

“Dunkirk”: a excelência de Nolan

Dunkirk, de Christopher Nolan: O pico sinestésico de uma obra capaz de aliar, com plena afinação, autoralidade e poder de comunicação com as massas.

MENÇÃO ESPECIAL

1) Eu, Daniel Blake, de Ken Loach: Para que não esqueçamos da importância da catarse no enfrentamento da violência política. Chamar o mais marxista dos cineastas de “manipulador” é não abrir os olhos para a transcendência.

2) mãe!, de Darren Aronofsky: O cronista dos excessos mergulha no Velho Testamento e traz de lá uma histérica mas perturbadora reflexão sobre o que é perpétuo e o que é transitório.

O BONDE DOS MELHORES

“Colo”: rupturas portuguesas

Silêncio, de Martin Scorsese

Colo, de Teresa Villaverde

Seu Nome, de Makoto Shinkai + Corra, de Jordan Pelle
O Outro Lado da Esperança
, de Aki Kaurismäki
Guardiões da Galáxia: Vol. 2
, de James Gunn + La La Land, de Damien Chazelle

Detroit, de Kathryn Bigelow

Moonlight: Sob a Luz do Luar, de Barry Jenkins

A Mulher Que Se Foi, de Lav Diaz

Logan, de James Mangold
Eu Não Sou Seu Negro
, de Raoul Peck
e mais…

Toni Erdmann, de Maren Ade

O Jovem Karl Marx, de Raoul Peck + O Estranho Que Nós Amamos, de Sofia Coppola

A Origem do Dragão, de George Nolfi

Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira

O Apartamento, de Asghar Farhadi

Terra Selvagem, de Taylor Sheridan

Capitão Fantástico, de Matt Ross

Assim é a Vida, de Olivier Nakache e Eric Toledano + Mulher-Maravilha, de Patty Jenkins

Blade Runner 2049, de Denis Villeneuve

 

MELHOR DA NETFLIX

1) Bright, de David Ayer: Diante da saturação do Real, a Metafísica regressa no bacurau da periferia, sem medo da sujeira e da exclusão.

2) Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe, de Noah Baumbach: Especialista nas patologias familiares, o diretor de Frances Ha (2012) subverte convenções de astros engavetados nas taxonomias mercadológicas de Hollywood, extraindo de Adam Sandler uma deliciosa atuação.

 

Melhor atriz: Sandra Hüller, em Toni Erdmann

 

Melhor ator: Hugh Jackman, em Logan