Os filmes e os talentos que o Oscar deveria reconhecer

Os filmes e os talentos que o Oscar deveria reconhecer

Rodrigo Fonseca

24 de janeiro de 2017 | 11h07

Jennifer Connelly com Ewan McGregor em "Pastoral Americana", filme estreia do ator escocês na direção

Jennifer Connelly com Ewan McGregor em “Pastoral Americana”, filme estreia do ator escocês na direção: excelência no set

RODRIGO FONSECA
Saem nesta terça as indicações para o Oscar 2017, com uma torcida já formada em torno de La La Land (o filme do momento), do poema Moonlight e de Manchester à Beira-Mar. Mas tem sempre aquele filme do coração que fica de fora das especulações para o prêmio. Que tal tentarmos uma lista rápida do que merecia estar no páreo.

Sonia Braga, por Aquarius, para Melhor Atriz: Cidadã mais ilustre de Maringá, a paranaense com alma de cravo e canela botou a Europa no bolso ao desfilar pela telona de Cannes à frente deste thriller existencial sobre a especulação predial no Brasil;

Sonia Braga em Aquarius

Sonia Braga em Aquarius: marco político

Viejo Calavera, de Kiro Russo, para Melhor Filme Estrangeiro: O mais genial longa-metragem boliviano dos últimos 20 anos faz uma discussão sobre o desamparo social a partir de tintas quase sobrenaturais, que dão colorido mórbido ao drama de um jovem confrontado com segredos da morte de seu pai; 

Penélope Cruz, por Ma Ma, para Melhor Atriz: Nesta aula de melodrama do diretor de Lúcia e o Sexo (2001), a beldade espanhola alcança uma carga dramática digna de mitos da arte dramática, na pele de uma mulher recém-divorciada às voltas com um câncer;

Ewan McGregor, pela direção de Pastoral Americana: É inexplicável a ausência do ator escocês entre os oscarizáveis de 2017 diante da reflexão política e da contundência crítica de seu primeiro longa como realizador. Ele relê por lentes audiovisuais a literatura de Philip Roth e tira dela o drama de um casal (o próprio Ewan e uma Jennifer Connelly em estado de graça) diante da descoberta do envolvimento de sua filha com a militância armada nos EUA dos anos 1960;  

Eddie Murphy, por Mr. Church, para Melhor Ator: O eterno Tira da Pesada desceu do salto e para poder se reinventar pelas vias do drama na saga de um cozinheiro que dedica cerca de duas décadas de sua vida à criação de uma menina loura, órfã de mãe;

Eddie Murphy no drama "Mr. Church"

Eddie Murphy no drama “Mr. Church”

Yeon Sang-Ho pela direção de Invasão Zumbi: O filme coreano mais popular da atualidade abriu as portas da narrativa live-action para este animador acostumado a angústias existenciais;

James Schamus, pelo roteiro de Indignação: Roteirista de prestígio e produtor de êxito entre cults e blockbusters, o parceiro nº1 de Ang Lee nas telas merecia uma distinção à altura de seu talento pelo script da adaptação da prosa de Philip Roth às telas;

Paulina García, por Little Men, para melhor atriz coadjuvante: A genial atriz chilena de Glória (2013) rouba a cena deste drama sobre a fidelidade canina entre duas crianças, batizada no Brasil de Melhores Amigos, feita com produção da brasileira RT Features.

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