Os achados do Festival do Rio 2019 (até aqui)

Os achados do Festival do Rio 2019 (até aqui)

Rodrigo Fonseca

12 de dezembro de 2019 | 20h06

Rodrigo Fonseca
Apesar de todas as dificuldades financeiras, o Festival do Rio 2019 saiu do papel com dignidade invejável, apoiando-se numa seleção de cerca de 200 filmes. Confira aqui os achados que o P de Pop viveu nos primeiros dias da maratona:
O Caso Richard Jewell (“Richard Jewell”, EUA), de Clint Eastwood: Um dos melhores trabalhos do realizador de “Os Imperdoáveis” (1992) em anos, este estudo das fake news recria o drama de um vigia (Paul Walter Hauser), encarado por todos como um looser profissional, que salva uma multidão ao descobrir uma bomba colocada num estádio dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Mas sua descoberta é torcida do avesso e ele passa a ser visto como vilão. Mas um advogado (Sam Rockwell) e sua retidão inabalável vão salvá-lo. Kathy Bates, que vive a mãe de Jewell (Hauser), está na peleja pelo Globo de Ouro de melhor coadjuvante.
Cem Quilos de Estrelas (“100 Kilos d’Étoilles”, França), de Marie-Sophie Chambon: Gordofobia é um dos focos do debate aberto por este delicioso relato geracional sobre uma jovem que faz de tudo para ser astronauta – até enfrentar os preconceitos. A fotografia de Yann Maritaud é uma aula do uso de cores. A diretora é uma prolífica roteirista de curtas.
Doce Entardecer na Toscana (“Dolce Fine Gionata”, Polônia), de Jacek Borcuch: Krystyna Janda ganhou o prêmio de melhor atriz em Sundance por seu desempenho como uma poetisa judia de origem polonesa radicada na Itália, afeita ao hedonismo. Em meio a conflitos com sua filha e netos, ela tem um caso com um garotão egípcio que afia sua inquietação em relação ao drama dos refugiados.
Luta Por Justiça (“Just Mercy”, EUA), de Destin Daniel Cretton: Michael B. Jordan ganha um status de Paul Newman ao reviver a cruzada real de Bryan Stevenson, um advogado cheio de idealismo Harvard que dedicou-se à defesa de condenados à morte. Jamie Foxx encarna um de seus clientes, que luta para se defender de uma acusação de assassinato pautada pelo racismo. Em sua exibição no evento carioca, a produção foi aplaudida durante a projeção várias vezes. Jordan e Foxx têm atuações comoventes. É cinemão clássico dos bons.

Aqueles que Ficaram (“Akik maradtak”, Hungria), de Barnabás Tóth: Candidato dos húngaros a uma vaga na briga pelo Oscar dos longas estrangeiros, este drama sobre amizade vem sendo aclamado em todos os festivais por onde passou. Em sua trama, em meio à ocupação soviética em seu país, um sobrevivente do Holocausto se afeiçoa por uma adolescente órfã.
O Vento Com Você (“Tenki no ko”/ “Weathering With You”, Japão), de Makoto Shinkai: Dono de uma criatividade ímpar, o diretor de “Your Name” (2016) narra aqui a paixão de um adolescente fujão por uma menina dotada de poderes climáticos, capaz de controlar chuvas. A direção de arte beira o esplendor.
Uma Mulher Extraordinária (“Nur Eine Frau”, Alemanha), de Sherry Hormann: Tribeca delirou com esta crônica sobre feminicídio que devassou as dinâmicas do sexismo em solo germânico. Na trama, uma jovem turca que fugiu para a Alemanha após engravidar é perseguida por seu irmão, que carrega a bandeira da honra familiar.

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