Os 50 anos de Conan na Marvel animam as bancas

Os 50 anos de Conan na Marvel animam as bancas

Rodrigo Fonseca

22 de julho de 2021 | 16h28

RODRIGO FONSECA
Nos tempos em que o diretor holandês Paul Verhoeven (de “Elle”) esboçava retomar os votos profissionais com o austríaco Arnold Schwarzenegger, testados e aprovados em “O Vingador do Futuro” (1990), num projeto sobre as Cruzadas, cogitou-se a hipótese de ambos juntarem forças em um longa-metragem com Conan da Ciméria. Passou-se o Tempo, Schwarzie virou Governator, envelheceu, saiu de moda como ator e nada aconteceu. Mas Conan… ah! Com esse os anos foram generosos, a julgar pela comemoração dos 50 anos de seu casamento com a Marvel Comics, comemorados em 2020 nos EUA, mas em celebração só agora no Brasil. Fora uma série de aventuras recentes dele ao lado dos Vingadores, numa alucinada viagem pelas eras, abandonando sua Era Hiboriana (uma espécie de Idade Antiga mais mística) pra cair na Ásia do nosso presente, o herói vem bombando nas bancas nacionais em tramas como “A Maldição da Estrela da Noite”, editada pela Panini, e no imperdível gibi especial “Batalha Pela Coroa da Serpente”, com arte do brasileiro Luke Ross. Os desenhos dele dão um novo tônus ao bárbaro, cuja gênese se deu na literatura, na revista pulp (nome dado a contos e romances publicados em brochuras) “Weird Tales”, de dezembro de 1932, delineado pela pena do escritor Robert E(rwin) Howard (1906-1936).

Seu sucesso no terreno da palavra instigou quadrinistas que buscavam uma centelha pop. Eis que em outubro de 1970, o roteirista Roy Thomas e o desenhista Barry Windsor-Smith lançaram o nº 1 de “Conan the Barbarian”, que comemorou seu cinquentenário lá fora no ano passado, mas sopra as velinhas aqui este mês. A passagem do eleito de Crom (o Deus dos Quatro Cantos, no credo da barbárie criada por Howard) pelos Vingadores é parte da celebração desse aniversário, que conta com outros mimos. O mais importante é uma edição de luxo (uma pataca de 776 páginas) com a republicação das tramas escritas por Thomas e ilustradas por Widsor-Smith de 1970 a 1973, além de outros apêndices. O tijolaço já é considerado como uma das mais cobiçadas publicações no seu setor. Já tem até uma parte II, igualmente volumosa, à venda.
Nas duas coletâneas, que já podem ser encomendadas na internet, no site da Panini, foi feita uma restauração dos desenhos, dos balões e do letreiramento original das edições de 1 a 26, incluindo extra a saga “Chamber of Darkness”. Nas jornadas ali retratadas, pelo texto exuberante de Thomas, Conan retorna à sua terra natal, a Ciméria, pela primeira vez, aprimorando suas habilidades como ladrão, mercenário, pirata e guerreiro. Em paralelo, as bancas nacionais andam apinhadas de uma versão encardenada de “A Espada Selvagem de Conan”, reunindo joias dos quadrinhos, lidas no Brasil nos anos 1980.

Cena de Schwarzenegger no papel do herói

Ainda na comemoração das bodas de ouro de Conan com a Marvel, a Casa das Ideias (apelido da editora no mercado do entretenimento) resolveu investir pesado no bárbaro, criando revistas paralelas para suas coadjuvantes mais famosas, como a guerreira Valéria, e, em especial, a pirata Bêlit, a Rainha da Costa Negra, que estrela uma saga exuberante relativa a seus anos de formação do mar. A personagem foi criada também por Robert E. Howard, chegando pela primeira vez às prateleiras em maio de 1934, no pulp “Queen of the Black Coast”, publicado na edição nº 23 da revista “Weird Tales”. A saga atual é escrita por Tini Howard e é desenhada por Kate Niemczyk. Ninguém sabe ainda dizer os rumos que outra parceira de batalha de Conan, a ruiva Sonja, uma das heroínas de maior popularidade do universo hiboriano, vai tomar no audiovisual, uma vez que o projeto de transportá-la para as telonas, sob a direção de Bryan Singer (“Bohemian Rhapsody”) caducou.
Existe ainda um plano para que Schwarzenegger volte a ser Conan, encarnando a fase dele como rei da cidade de Aquilônia (o equivalente hiboriano aos EUA) no streaming. Mas este projeto, como se fala nos gibis do guerreiro, é uma outra história.

p.s.: Fala-se muito em “Feu”, de Claire Denis, e em “Soggy Bottom”, de Paul Thomas Anderson, pra concorrer ao Leão de Ouro, mas algo quente diz ao P de Pop que “Deserto Particular”, vindo do Paraná de Aly Muritiba, vai pro Lido, no 78º Festival de Veneza, de 1º a 11 de setembro. O realizador de “Ferrugem” (2018) pode voltar aos holofotes internacionais com a história de Daniel, um policial exemplar cuja carreira e cuja honra estão em risco. Não vendo mais sentido em continuar vivendo em Curitiba, ele parte em busca de Sara, a mulher com quem se relaciona virtualmente.
p.s.2: Acaba de estrear no Brasil “Irmãos à Italiana” (“Padrenostro”), que rendeu a Copa Volpi de melhor ator a Pierfrancesco Favino no 77º Festival de Veneza, em setembro passado. O belo longa-metragem de Claudio Noce revisita um crime real ocorrido com o próprio pai do cineasta, na década de 1970. Em 1976, o comissário Alfonso Noce (papel de Pierfrancesco) foi vítima de um atentado política ligado a uma célula militante acusada de terrorismo, chamada Nuclei Armati Proletari (NAP). A tentativa de assassinato, no filme, é testemunhada pelo filho de Alfonso, que transforma o incidente no estopim para uma amizade com um rapaz misterioso, que vai redefinir sua vida.

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