Orlando Drummond versão (literatura) brasileira

Orlando Drummond versão (literatura) brasileira

Rodrigo Fonseca

30 de janeiro de 2020 | 12h23

Rodrigo Fonseca
Há 50 anos, Orlando Drummond, já cinquentão, entrava nos sets da comédia “Bonga, o Vagabundo”, ao lado de Renato Aragão, para encarnar um garçom borracho que garantia uma dose inusitada de gags a um dos filmes mais cultuados do Chaplin brasileiro. Foi um dos principais feitos do hoje centenário ator, mito supremo da dublagem nacional, que tem sua trajetória de glórias investigada na deliciosa biografia “Versão Brasileira”. Vitor Gagliardo é o autor do livro, de texto saboroso, que a Gryphus acaba de lançar, revendo todo o histórico de personagens memoráveis do eterno Seu Peru. Sua voz foi emprestada ao Popeye, ao Alf, ao Scooby-Doo ao longo de uma longeva incursão por estúdios do Rio, tendo seu apogeu profissional (de qualidade) ao dublar Gene Hackman em “Operação França” (1971), na Peri Filmes. Na entrevista a seguir, dada ao P de Pop na Vila Isabel-RJ, Gagliardo explica como foi feito o levantamento das múltiplas peripécias do dublador.

https://www.youtube.com/watch?v=EExomkx-wKU

Quanto tempo durou a pesquisa do livro? Quais foram as fontes que você usou? Como começaram os encontros com o Orlando Drummond?
Vitor Gagliardo:
Eu comecei a escrever o livro em 2015. Já conhecia o Felipe, que é amigo de infância da minha esposa, então, um dia, eu falei “por que não tentar fazer uma biografia do Orlando?”. Pedi a autorização à família dele e a resposta veio de imediato: “Positivo!”. As fontes de pesquisa foram centenas de entrevistas com o próprio Orlando e com sua família. Pesquisei em muitos jornais de época, que acabaram sendo muito importantes. Para você ter uma ideia, na década de 1940, saiu um artigo que dizia “Nasce uma estrela no rádio!”, e era exatamente o Drummond. Existe um material muito antigo e vasto sobre ele.
Como dubladores mais novos, como Guilherme Briggs, participaram do processo?
Vitor Gagliardo:
O Guilherme Briggs é uma pessoa espetacular que eu tive a honra de conhecer. Virei fã. Eu fiz um pedido para ele fazer a introdução do livro e ele aceitou na hora. O Guilherme mostra a importância do Orlando, sobre como ele foi fazendo escolas. O Orlando está na ativa desde os anos 1940, 50. Ele foi pegando diferentes pessoas e de diferentes décadas. O trabalho do Guilherme mostra como o trabalho do Orlando foi muito bem feito.
Qual a importância de registrar neste livro o legado de um ator, dublador e mito da cultura brasileira como o Orlando Drummond?
Vitor Gagliardo:
O Orlando tem uma história linda na televisão, no rádio e na dublagem. Era o momento de deixar eternizado, para todas as pessoas, quem de fato foi o Orlando Drummond. Ele foi e é um apaixonado pelo trabalho, pela vida e pela família. Tem uma frase dele, que serve de mantra pra ele: “A palavra mais próxima do amor é o humor”. Essa frase define quem é o Orlando pai, avô, bisavô e dublador.
Como você se encantou pela figura dele? Você lembra qual foi a primeira vez que se interessou em descobrir quem era a pessoa por trás da voz?
Vitor Gagliardo:
Eu cresci assistindo Scooby-Doo, sempre fui um fã do desenho. Depois veio “Os Smurfs”, veio “Alf, o ETeimoso”, veio “He-man”, veio o Vingador da “Caverna do Dragão”. Assim foi até chegar na “Escolinha do Professor Raimundo”, que era um programa de família. A minha admiração por ele vem desde a década de 1980. O mais legal foi que eu descobri trabalhos maravilhosos dele de antes dessa época.

p.s.: Em paralelo à sua volta às telas da França, com “Le Prince Oublié”, que estreia este fim de semana, o diretor Michel Hazanavicius, ganhador do Oscar por “O Artista” (2011), terá um de seus trabalhos de maior tônus pop exibido nesta sexta-feira, na televisão a cabo brasileira, no TV5 Monde: “AGENTE 117: RIO NÃO RESPONDE MAIS” (2009). Essa comédia policial de 97 minutos, rodada parcialmente em solo carioca, vai ser exibida às 15h desta sexta. Na trama, Hubert Bonisseur de la Bath, codinome OSS 117, o maior espião francês, vivido pelo gaiato Jean Dujardin, é encarregado de uma missão muito importante: localizar um ex-oficial nazista refugiado na América Latina. A investigação começa pelo Rio de Janeiro, onde ele trabalha em equipe com uma encantadora espiã israelense.

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