O melhor e o pior do cinema em 2020

O melhor e o pior do cinema em 2020

Rodrigo Fonseca

27 de dezembro de 2020 | 09h58

Djin Sganzerla estrela e dirige o melhor filme brasileiro de 2020: “Mulher Oceano”

RODRIGO FONSECA
Assolado por uma pandemia que adiou a realização de muitos projetos e catapultou a estreia de muitos longas-metragens para uma data inestimável, o ano cinematográfico de 2020 penou na tosse da covid-19 vendo muitos de seus festivais tendo que recolher o tapete vermelho e migrar para um formato não presencial, online. No Brasil, frente a uma corrida para preservar a lucidez das classes profissionais ligadas ao audiovisual, o crítico Carlos Alberto Mattos e o diretor Bebeto Abrantes promoveram, em parceria com o produtor Marcio Blanco, o evento mais valoroso do ano: o seminário Na Real_Virtual, mobilizando a fina flor do documentário nacional – foram conversas preciosas sobre metodologias, procedimentos, éticas. Em paralelo, por aqui, os festivais de Gramado e de Brasília, o Cine PE e o Cine Ceará reinventaram-se numa operação multimídia, envolvendo plataformas de exibição e a TV, via Canal Brasil. Vale especial destaque a entrevista que o atual curador de Brasília, Silvio Tendler, fez com o realizador inglês Ken Loach, mediado por Flávia Guerra. De tudo o que se viu lá de fora, nada teve um dinamismo narrativo à altura de “Time to Hunt” (“Sa-nyang-eui-si-gan”), de Yoon Sung-hyun, um thriller sul-coreano sobre um policial corrupto que caça um grupo de amigos envolvidos em um assalto. Dos longas brasileiros, a atriz Djin Sganzerla sagrou-se a titular do posto de realizadora do melhor filme feito nestas nossas terras com seu “Mulher Oceano”, ao retratar a interseção existencial entre duas mulheres ligadas pelo mar, sendo ambas vividas por ela, numa atuação memorável. A fotografia de André Guerreiro Lopes é um achado extra na incursão de Djin pelas veredas da direção. Entre as atuações em filmes com o DNA verde e amarelo: nenhuma atriz supera Mariana Nunes em “M8: Quando a Morte Socorre a Vida”, assim como nenhum ator fez mais bonito do que Leandro Hassum em “Tudo Bem No Natal Que Vem”. Já entre as gemas estrangeiras, as melhores atuações foram de Elisabeth Moss em “O Homem Invisível” e de Delroy Lindo em “Destacamento Blood”. Na dublagem, merecem aplausos o trabalho de Ilka Pinheiro cedendo o gogó a Glenn Close em “Era Uma Vez um Sonho” e o desempenho de Jorge Lucas como a voz protagonista da animação “Soul”.

“Tempo de Caça” (“Time To Hunt”): o melhor filme de 2020

OS MELHORES de 2020
“Tempo de Caça” (“Time to Hunt”/ “Sa-nyang-eui-si-gan”), de Yoon Sung-hyun
“Joias Brutas” (“Uncut Gems”), de Josh e Benny Safdie
“Tenet”, de Chistopher Nolan
“Mulher Oceano”, de Djin Sganzerla
“O Roubo do Século” (“El Robo Del Siglo”), de Ariel Winograd
“Mank”, de David Fincher
“O Homem Invisível” (“The Invisible Man”), de Leigh Whannell
“Sertânia”, de Geraldo Sarno
“Mulher Maravilha 1984” (“Wonder Woman 1984”), de Patty Jenkins
“So Long, my Son” (“Di Jiu Tianchang”), de Wang Xiaoshuai
“Breve Miragem de Sol”, de Eryk Rocha
“Os Miseráveis” (“Les Misérables”), de Ladj Ly
“Martin Eden”, de Pietro Marcello
“Destacamento Blood” (“Da 5 Blood”), de Spike Lee
“Fita de Cinema Seguinte de Borat” (“Borat Subsequent Moviefilm: Delivery of Prodigious Bribe to American Regime for Make Benefit Once Glorious Nation of Kazakhstan”), de Jason Woliner
“Soul”, de Pete Docter e Kemp Powers

OS PIORES de 2020
“Jojo Rabbit”, de Taika Waititi
“O Céu da Meia-Noite” (“The Midnight Sky”), de George Clooney
“The Old Guard”, de Gina Prince-Bythewood

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