O Woody Allen da minha vida

O Woody Allen da minha vida

Rodrigo Fonseca

09 Julho 2016 | 13h18

“Broadway Danny Rose”

RODRIGO FONSECA

Mal começou a carreira cinematográfica internacional de Café Society, a mais recente iguaria de Woody Allen, e o octogenário cineasta já tem um filme novo para tirar do papel: este semana foi anunciada a escalação de Justin Timberlake para seu novo longa-metragem, previsto para 2017, tendo Kate Wislet como protagonista, e James Belushi e Juno Temple como coadjuvantes. Cada ano tem um Woody novo. E, ao passarmos em revista sua obra, tem sempre alguma que se destaca afetivamente como sendo o “Woody Allen de nossas vidas”. Cada cinéfilo tem o seu. O meu é Broadway Danny Rose (1984), de seu período a dois com Mia Farrow. Um filme em P&B, que vi ainda em VHS.

Entre as obras-primas do senhor Allan Stewart “Woody” Konigsberg “Allen”, o idílico Broadway Danny Rose é a menos festejada, embora tenha dado lucro aos cofres da Orion Pictures em seu lançamento. O projeto consumiu US$ 8 milhões para sair do papel, e, uma vez lançado, rendeu cerca de US$ 10 milhões nas bilheterias americanas, tendo concorrido aos Oscars de melhor direção e melhor roteiro. Allen abocanhou ainda o prêmio do Writers Guild of América (WGA), o sindicato dos roteiristas, pelo longa-metragem. Formalmente requintado, o filme é edulcorado pela fotografia em preto e branco clicada por Gordon Willis, o Midas das Lente, cujo olhar está por trás de O Poderoso Chefão (1972).

Numa interpretação mais inspirada do que o seu desempenho convencional como ator, Allen vive Danny Rose, um caça-talentos e empresário de artistas de segunda. Entre seus talentos estão um sapateador perneta, um ventríloquo gago e o crooner Lou Canova. Este é vivido vivido pelo cantor Nicola Antonio Forte, cujo pseudônimo é Nick Apollo Forte. Lou pode botar a perder um show armado por Danny Rose graças ao banzo que sente do colo de sua paixão: a doidinha de plantão Tina (Mia Farrow), amante de um gângster. Ao fazer Tina se reaproximar de seu rouxinol balofo, Danny descobre os prazeres do bem-querer no decote da moça. Essa descoberta transforma o que deveria ser uma comédia sobre pessoas deslocadas em uma love story doída sobre encontros, desencontros e desconexões, adereçada com piadas sobre a estranheza nossa de cada dia.

No Brasil, Allen é dublado pelo genial Élcio Romar.

Por aqui, nas telas brasileiras, Café Society está previsto para estrear em 25 de agosto.