O triunfo de Stallone

O triunfo de Stallone

Rodrigo Fonseca

28 de novembro de 2015 | 12h38

Creed Coogler

 

Está lançada aqui a campanha para Sylvester Stallone conquistar o Oscar de melhor ator coadjuvante por Creed: Nascido para Lutar, de Ryan Coogler, num resultado capaz de coroar um dos personagens mais carismáticos da História do Cinema: Rocky Balboa. Nas telas desde 1976, quando ficou imortalizado à frente de Rocky, um Lutador, de John G. Avildsen, o Garanhão Italiano volta agora, em sua sétima incursão no écran, como escada para Michael B. Jordan, o Tocha Humana do subestimado Quarteto Fantástico versão 2015. Jordan é Adonis, o filho de Apollo, o Doutrinador, morto em Rocky IV pelos punhos soviéticos de Ivan Drago (Dolph Lundgren). Adonis tem que se afirmar a despeito de contradições econômicas e raciais, mas terá Balboa como seu treinador. Espere momentos de forte emoção do longa, que entra em cartaz nos EUA neste fim de semana (aqui é só no dia 7 de janeiro) já com credenciais para disputar os prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Sasha Stone, a correspondente do periódico Awards Daily, acredita que Sly, hoje um senhor de 69 anos, tem chances de ser indicado. Dia 10 de dezembro serão conhecidas as indicações ao Globo de Ouro (cuja entrega de troféus vai ser dia 10 de janeiro), mas antes tem premiações de luxo como as concedidas pelo National Board of Review (dia 1º/12) e pelo American Film Institute (7/12), seguidos pela votação do Screens Actors Guild (9/12), o Sindicatos dos Atores lá dos States. Os concorrentes ao Oscar de 2016 serão anunciados no dia 14 de janeiro.

Vale lembrar que, somados, os seis longas anteriores da franquia Rocky arrecadaram US$ 564 milhões nas bilheterias. Para nostálgicos, vale dizer que canais como o Paramount Channel e, por vezes, o TCM exibem os três primeiros filmes de Balboa com a dublagem original, dando a novas gerações de espectadores e aos fãs mais veteranos a chance de ouvir a interpretação de um gênio da voz: André Filho. Sobretudo no filme nº1, o desempenho de dublagem de André é comovente, realçando o empenho de Sly.

Embora tenha sido alvo de preconceito dos críticos por décadas a fio, tendo concorrido à Framboesa de Ouro (o Oscar do pior) 21 anos a fio, Stallone superou suas limitações muitas vezes e nos deu personagens de doer na alma como o mafioso Frank Nitti de Capone, o Gângster (1975), o presidiário Frank Leone de Condenação Brutal (1989) ou o xerife Freddy Heflin de CopLand (1997). Há um trabalho dele recente de muita qualidade chamado Reach Me, drama dirigido por John Herzfeld, lançado só em DVDs e TV aqui como Lute por sua Vida. No mais, Sly pode ser o gângster Gregory Scarpa em um projeto de promissor de Brad Furman. Temos de esperar. E torcer.  

 

p.s.1: Um dos melhores diálogos do cinema em 2015: “O que seria de Woody Allen se não fosse por mim?”, diz um vendedor de DVDs (autorais) piratas a Jafar Panahi em Táxi Teerã, longa-metragem ganhador do Urso de Ouro no Festival de Berlim que, sem sombra de dúvida, merece estar no topo da lista das pepitas de ouro deste ano. Mais do que trazer um dispositivo estético inusitado, capaz de esgarçar fronteiras entre o ficcional e o documental, a produção se impõe pela fina ironia de seus diálogos, de farpas existenciais tão afiadas quanto seus estilhaços políticos.

 

p.s.2: Acaba de chegar às bancas uma obrigatória compilação das HQs do Príncipe Namor escritas e desenhadas por John Byrne em 1990. A luta entre o Rei dos Mares e o Grifo é antológica.