O top 10 (+ 1) do Festival de Cannes 2018

O top 10 (+ 1) do Festival de Cannes 2018

Rodrigo Fonseca

19 Maio 2018 | 09h04

“The Man Who Killed Don Quixote”: n.1

O melhor de Cannes em dez longas  (+ 1 curta):

“The man who killed Don Quixote”: Valeu acada minutos dos 25 anos que Terry Gilliam gastou na (des)ventura de levar Cervantes às telas. Adam Driver tem uma atuação genial como um Sancho Pança pop;
“Capharnaüm”, de Nadine Labaki: Com o dom de arrancar litros de choro, ao falar de um garoto de 12 anos que processa seus pais por abandono e descuido, a cineasta libanesa criou uma narrativa capaz de viajar da fofura à tragédia, abordando ainda temas como a violência contra a mulher e a imigração ilegal numa narrativa arrebatadora, digna da Palma de Ouro ou do Grand Prix;
“Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”, de Renéée Nader Messora e João Salaviza: Porta aberta para a imaginação dos povos Krahô, este ensaio metafísico discute a permanência dos signos e dos gestos em tempos de invisibilidade de culturas alvejadas pelo predatismo. A imersão da dupla de cineastas naquele universo, a partir das angústias de um jovem obrigado a lidar com tradições de fé e rituais  de sua população indígena, gera uma apoteose visual;
“Chris the Swiss”, de Anja Kofmel: Em sua sua estreia na direção, esta cineasta suíca aposta na animação para recriar uma tragédia pessoal: a morte de um primo ligado ao conflito da extinta Iugoslávia;
“Pope Francis – A man of his word”: Wim Wenders faz um ensaio sobre o lugar da caridade nos dias de hoje a partir dos ideias reformistas do Papa Francisco;
“BlackKklansman”, de Spike Lee: Com base na saga real de Ron Stallworth, policial negro do Colorado que, em 1979, infiltrou-se em uma célula da Ku-Kux-Klan, este thriller prima pela ironia, refinando a  precisão narrativa de seu diretor, que, aqui, faz uma radiografia do ódio;
“O Grande Circo Mistico”, de Carlos Diegues: O diretor de “Deus é brasileiro” faz 78 anos neste domingo com a certeza de que encantou Cannes com seu melhor e mais corajoso filme desde “Bye Bye, Brasil” (1979). Celavi, vivido por Jesuíta Barbosa, é um Macunaíma pop. Mariana Ximenes redefine sua imagem como atriz no papel de uma trapezista fiel a Deus;
“Mirai”: Mestre do desenho animado, Mamoru Hosoda usa a fantasia para fazer uma crônica sobre a vida em família, a partir dos sonhos de um garotinho que acaba de ganhar uma irmã;
“O Órfão”, de Carolina Markowicz: Pequeno no tamanho (15 minutos), gigante em sua delicadez, este curta brasileiro retrata questões de gênero a partir de um menino negro que não consegue ser adotado por ter hábitos como usar batom;
“Wildlife”, de Paul Dano: Carey Mulligan se reinventa como atriz no papel de uma dona de casa que opta por se empoderar e gozar de seus desejos numa casa em crise afetiva dos EUA dos anos 1960;
“Dogman”, de Matteo Garrone: Dez anos depois do fenômeno “Gomorra”, seu realizador volta à Croisette mais maduro, e mais afeito ao risco, com um (anti)western moderno sobre o paralelismo do Cordeiro: a presa depende do predador… mas até que limite?