‘O Som ao Redor’: ainda mais crocante

‘O Som ao Redor’: ainda mais crocante

Rodrigo Fonseca

24 de maio de 2020 | 11h35

Rodrigo Fonseca – #FiqueEmCasa
Batizado de “Neighboring Sounds” nos EUA e de “Les Bruits de Recife” na França, “O Som ao Redor” será a atração do Telecine Cult desta madrugada, à 0h, estendendo tapete vermelho ao thriller de observação social (sobretudo da classe média) que transformou o pernambucano Kleber Mendonça Filho no mais festejado realizador brasileiro da atualidade. Ganhador de 38 láureas internacionais, incluindo o Troféu Redentor de Melhor Filme do Festival do Rio 2012, o longa-metragem começou sua carreira em Roterdã, de onde saiu com o Prêmio da Crítica, que é dado pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci). Na trama, os moradores de um condomínio de prédios, de uma área abastada da geografia recifense, tem sua rotina desestruturada pela chegada de uma milícia de seguranças. Irandhir Santos lidera o grupo de vigias, que circula entre moradores como o corretor João (Gustavo Jahn) e seu avô, o coronelista Francisco (W.J. Solha). Destaque no elenco para o desempenho de Maeve Jinkings na pele de uma chefa de família incomodada com os latidos do cão de seu vizinho. DJ Dolores assina a trilha sonora. Pedro Sotero e Fabricio Tadeu cuidam da direção de fotografia, que evita exotismos ao fazer sua crônica de costumes… e distorções. Exótica (se é que essa é a melhor palavra) só a cena de um banho de sangue numa cachoeira, na zona de um velho engenho de açúcar, onde residem fantasmas de um Brasil arcaico e dominador. Thales Junqueira é quem cuida da arte. Kleber, que escreveu e montou o filme (a edição foi em dupla com João Maria), trabalhou com um orçamento de R$ 1,8 milhão, produzido por Emilie Lesclaux. Nas bilheterias brasileiras, o longa vendeu cerca de 100 mil entradas, em janeiro de 2013, chegando ao circuito com mimos em seu currículo, como o Kikito de melhor direção, conquistado em Gramado, seis meses antes. Dali Kleber partiu para “Aquarius” (2016) e “Bacurau”, codirigido por Juliano Dornelles, que conquistou o Prêmio do Júri em Cannes, em 2019.

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