O ranking de San Sebastián em 2019

O ranking de San Sebastián em 2019

Rodrigo Fonseca

27 de setembro de 2019 | 07h35

Michiel Huisman é o Pastor em “The Other Lamb”


RODRIGO FONSECA
Melhores de San Sebastián

“The Other Lamb”, de Malgorzata Szumowska (Polônia/ Irlanda): Laureada em Berlim por “Body” (2015) e por “Mug” (2018), a cineasta de maior prestígio do audiovisual polonês se embrenha pelas veredas da língua inglesa ao filmar a saga de uma seita só de mulheres, chamada de Rebanho, que tem um déspota fundamentalista, chamado Pastor (papel de Michiel Huisman), como líder, sendo ele avesso a chegada de outros homens, inclusive bebês. Mas uma jovem “ovelha” (Raffey Cassidy), em fase menstrual, vai desafiar o jugo dele.
“Weathering with you”, de Makoto Shinkai (Japão): Com músicas que grudam no tímpano, esta fábula sobre amores impossíveis refina a estética autoral do realizador de “Your name” (2016), sempre atento a paixões que se desenrolam em meio a tragédias naturais. Aqui, um rapaz que fugiu de casa para tentar a vida em Tóquio se enamora de uma adolescente capaz de controlar fenômenos climáticos.
“La hija de um ladrón”, de Belén Funes (Espanha): Greta Fernández se imola diante de nós no papel de uma jovem com limitações em sua audição que luta para cuidar de seu bebê e de zelar pelo irmão mais moço a despeito das intervenções bruscas de seu pai, Manuel. O sujeito é vivido por Eduard Fernández, o Antonio Fagundes da Espanha. Greta é filha dele na vida real.
“Beanpole”, de Kantemir Balagov (Rússia): Nos escombros da II Guerra Mundial, em solo soviético, duas mulheres buscam reinventar suas vidas e buscar um sentido para explicar a tragédia que se abateu sobre elas. Montagem impecável. Conquistou o prêmio de melhor direção na seção Un Certain Regard de Cannes e ganhou o prêmio Fipresci.
“Pacificado”, de Paxton Winters (Brasil): Fora a emoção de ver uma memorável atuação de Léa Garcia nas telas da Europa, este drama sobre a arte de sobreviver nas favelas do Rio, que teve o diretor americano Darren Aronofsky (de “Cisne Negro”) como produtor repagina a figura em ascensão da atriz Débora Nascimento (em brilhante desempenho) e dá a Bussaka Kabengele a chance de construir um personagem apoteótico. Os dois vivem os pais da jovem Tati (Cássia Nascimento), que enfrenta os dilemas da adolescência no Morro dos Prazeres.
“Les Misérables”, de Ladj Ly (França): De descendência maliana, este realizador francês com carreira de ator e de documentarista, mergulha na ficção a partir de um paralelo com a literatura de Victor Hugo, falando sobre um trio de policiais que se envolvem num conflito com a população de um subúrbio de Paris, com população majoritariamente negra. É a melhor montagem de todos os candidatos à Palma já exibidos: nervosa, mas aberta à reflexão das contradições sociais. Ganhou o Prêmio do Júri em Cannes, empatado com “Bacurau”.
“Zombi Child”, de Bertrand Bonello (França): Espécie de “Carrie, a estranha” misturado com .docs do Arte sobre macumba, o novo filme do realizador de “Nocturama” (2017) trança dois tempos (os anos 1960 e a atualidade) e dois espaços (o Haiti e a classe média francesa) a partir de um grupo de alunas adolescentes que montam uma sororidade de estudos literárias e têm contato com os mistérios ocultos de um ritual de zumbificação usado em trabalhos servis na América Central. Uma das estudantes pede a uma imigrante haitiana que exorcize seus males de amor por um namoradinho, o que deflagra um processo de assombro. A filmagem dos rituais de sincretismo afro ultrapassam os males da alteridade.

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