O que há de novo nas HQs

O que há de novo nas HQs

Rodrigo Fonseca

28 de julho de 2019 | 08h53

Rodrigo Fonseca
Tem “Sr. Milagre” de Tom King nas bancas do Brasil, tem Dylan Dog em fase nova (via ed. Mythos) e tem um encadernado inédito do Surfista Prateado, do Mike Alred – isso é só uma (bela) amostra do que há de melhor no empório HQuístico do país. Mas, lá fora, nos EUA, nas gibiterias da América, vive-se uma fase de renovação também. Eis as novidades:
Red Sonja
Estava tudo certo para o regresso às telas desta guerreira ruiva que roubou o coração de Conan: Bryan Singer, diretor afastado de “Bohemian Rhapsody” por atrasos e assédios a homens, ia pilotar a aventura audiovisual desta espadachim, mas o projeto está suspenso após novas acusações contra o mau comportamento sexual do cineasta. Mesmo assim, a editora Dynamite aposta em nova série de quadrinhos da heroína da Hirkania, país da imaginária Era Hiboriana, uma corruptela da Idade Antiga criada pelo escritor Robert E. Howard (1906-1936). A Sonja que os americanos transformaram em best-seller é uma mistura de duas figuras concebidas por Edward: Sonya Vermelha de Rogatino e Agnes Negra de Chastillion. Mark Russell escreve e Mirko Colak desenha.

Wonder Twins
O grito “Supergêmeos ativar!” imortalizou o desenho “Superamigos” no imaginário da cultura pop a partir das peripécias dos irmãos Zan e Jayna: ele virava baldes de água e cubos de gelo e ela se transformava em animais. Mark Russell recria a dupla numa narrativa que combina ecos de “Barrados no baile” com perigos dignos do filme “Liga da Justiça”. Stephen Byrne desenha.
Savage Sword of Conan
Um marco no Brasil nas décadas de 1980 e 90, “A espada selvagem de Conan” dá ao bárbaro imortalizado nos cinemas por Arnold Schwarzenegger uma chance para repaginar sua lenda na luta contra um culto demoníaco. Gerry Duggan escreve uma trama cheia de viradas que revive o melhor dos gibis do guerreiro de bronze escritos pelo mítico Roy Thomas.
John Carpenter’s Science Fiction
Referência obrigatória para diretores como Quentin Tarantino e Kleber Mendonça Filho, John Carpenter não filma nada desde “Aterrorizada” (2010), mas deixou um legado que alimenta a imaginação de cineastas e de quadrinistas, com sucessos como “Halloween” (1978) e “Fuga de Nova York” (1981). O roteirista Mike Sizemore e o desenhista Dave Kennedy se inspiram em tramas esboçadas pelo diretor para explorar a dimensão mais sombria da ficção científica.
Sharkey – The Bounty Hunter
Candidata ao posto de HQ do ano, esta série em quadrinhos da Image Comics, cheia de humor e malandragem, acompanha as peripécias do assassino espacial Sharkey, obrigado a cuidar de um guri alienígena enquanto retoma a atividade de caçador de recompensas, que havia caído na ilegalidade, num futuro intergaláctico à la Star Wars. Simone Bianchi desenha os roteiros escritos pelo midas do momento do setor: Mark Millar, aclamado por sucessos já levados aos cinemas como “Procurado”, “Kick-Ass” e “Kingsmen”.

Archie
Criado em 1941 pelo editor John L. Goldwater e o ilustrador Bob Montana, Archie é um dos pilares da indústria de quadrinhos dos EUA, uma espécie de “Mônica” deles: suas aventuras narram o processo de amadurecimento de um jovem tipicamente americano. Mas, com as evoluções morais do século XXI, Archie foi repaginado a partir de 2015, ganhando traços mais realistas, o que ampliou as vendas de suas histórias.
Aliens Resistance
De carona na celebração dos 40 anos da franquia “Alien” nos cinemas, a Dark Horse Comics encomendou ao escritor Brian Wood uma nova série baseada na criatura alienígena que cospe ácido tendo uma heroína negra como protagonista, para substituir a tenente Ellen Ripley e pra ampliar a representação de afrodescendentes nas HQs. Entra em cena a fuzileira naval Zula Hendricks, uma jovem que já participou de expedições espaciais e sabe o risco de se usar os aliens como armas biológicas.
Prodigy
Mark Millar ataca novamente, agora amparado pelo talento do desenhista gaúcho Rafael Albuquerque, com quem trabalhou no álbum “Huck”, já editado no Brasil. O herói aqui é Edison Crane, o homem mais esperto do mundo, cuja inteligência é usada por órgãos do governo dos EUA para resolver problemas que as armas não consertam. Vai virar série.

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