O ‘Paraíso’ de Ristum amanhece a TV aberta

O ‘Paraíso’ de Ristum amanhece a TV aberta

Rodrigo Fonseca

22 de maio de 2021 | 14h07

“O Outro Lado do Paraíso” saiu de Gramado com o Kikito de Júri Popular

Rodrigo Fonseca
Lançado na disputa oficial pelo troféu Redentor da Première Brasil de 2014, no RJ, “O Outro Lado do Paraíso” é um comovente estudo sobre a dimensão edificadora de um pai na vida de uma criança, usando a construção de Brasília como analogia, numa narrativa que, nesta madrugada, vai fazer muito espectador chorar, numa transmissão do Corujão da TV Globo. A sessão será às 4h30, mas a direção afinada de André Ristum compensa a insônia. Sua maestria na busca de um viés neorrealista, sem medo do melodrama, garante universalidade a uma trama pinçada do livro infanto-juvenil homônimo de Luiz Fernando Emediato. Gramado recebeu o filme em 2015, coroando uma estrada que o levou aos festivais de Lleida, na Espanha, e Triste, na Itália, com um Kikito, votado pelo júri popular. Para recriar o processo de edificação da sede oficial da República, nos anos 1960, Ristum viajou no Tempo com a ajuda de imagens documentais, pinçadas de cineastas de peso, a começar por Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988) e seu “Brasília: Contradições de Uma Cidade Nova”, de 1967. À época foi divulgado que a produção custou R$ 8,5 milhões. Mas o requinte da direção de arte de Alberto Grimaldi faz jus a todo o investimento. Especialista em dramas ligados à Paternidade, vide o doce “Meu País” (2011), o diretor se debruça aqui sobre a História, com base no processo de amadurecimento de um menino de 12 anos. O guri, Fernando, vivido por Davi Galdeano, é a encarnação romanceada do escritor e editor Luiz Fernando Emediato. E ele luta para ter acesso aos livros e à leitura numa cidade do Distrito Federal que começa a nascer sob o respingo do suor dos operários. Um desses trabalhadores é seu papai, Trindade, interpretado com por um Eduardo Moscóvis em estado de graça. Por vezes, o longa titubeia em digressões românticas que resvalam no chavão. Mas a retidão com que o cineasta se atém ao companheirismo entre Fernando e Trindade impedem que o filme descarrilhe, vitaminado pela música de Patrick de Jongh e pela atuação delicada de Simone Iliescu, vivendo a mãe do protagonista. Prum início de domingo, o interesse da Globo nas memórias de Emediato é uma feliz abordagem das recordações de um escritor e editor singular, autor de pérolas literárias como “Eu Vi Mamãe Nascer” e “Não Passarás o Jordão”.

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