O outro lado de Bernstein na TV

O outro lado de Bernstein na TV

Rodrigo Fonseca

14 de julho de 2020 | 11h53

Rodrigo Fonseca
Existem muitas razões para se ver “O Outro Lado da Rua”, nesta madrugada, na Globo, às 2h, não apenas pelo júbilo de ver Fernanda Montenegro brincar de Hitchcock e pela chance de rever Raul Cortez (1932-2006) em um de seus melhores trabalhos. Com 16 prêmios em seu currículo, o longa-metragem – egresso do Festival de Berlim de 2004, onde estreou na mostra Panorama – ainda oferece ao público a chance de conhecer o rosto de um dos maiores dubladores do país: Luiz Carlos Persy. Ele é o locutor do Canal Brasil, fazendo as chamadas da emissora diariamente, além de dublar personagens que marcaram época: é o Don Corleone, em “O Poderoso Chefão” (1972), e o dínamo anarquista V, em “V de Vingança” (2006). Ele vive o policial Alcides, que investiga uma trama com um pé no suspense e outro no amor romântico. Trama que abocanhou láureas em festivais em San Sebastián, Mar Del Plata, Paris, Toulouse e Tribeca, onde deu um prêmio especial à Fernandona. Quem pilota a nave é Marcos Bernstein, um dos roteiristas de “Central do Brasil” (1998), que hoje brilha como autor de novelas, em folhetins como “Além do Horizonte” (2013-14) e “Orgulho e Paixão” (2018). Seu histórico como realizador inclui ainda “Meu Pé de Laranja Lima”, laureado no Festival de Roma em 2012.

No enredo desenvolvido por Melanie Dimantas Bernstein, Regina (Fernanda) é uma mulher de 65 anos, de sinceridade excessiva e ironia incontida, que vive em Copacabana com sua cachorrinha. Para aplacar o vazio da solidão e se distrair, ela participa de um serviço da polícia, no qual aposentados denunciam pequenos delitos do bairro e arredores. Alcides (Persy) acaba sendo o filtro das denúncias. Em uma noite de abandono, “fiscalizando” com seu binóculo o que acontece nos prédios do outro lado da rua, Regina presencia o que lhe parece ser um homem matando sua mulher com uma injeção letal. Ela chama a polícia, mas o óbito é dado como morte natural. Desmoralizada, Regina resolve provar que estava certa e acaba se envolvendo com o suposto assassino, Camargo, papel de Raul Cortez. A fotografia é de Toca Seabra, que valoriza o tônus bruxuleante das narrativas de mistério. Marcelo Moraes constrói a edição preservando a tensão, ampliada pela trilha sonora de Guilherme Bernstein Seixas.

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