O melhor das HQs em 2016: ‘Lobo Solitário’

O melhor das HQs em 2016: ‘Lobo Solitário’

Rodrigo Fonseca

31 Dezembro 2016 | 19h22

LoboSolitario01.jpg 77 Lobo Solitário Lone wolf
RODRIGO FONSECA

Uivos no ar: Lobo Solitário voltou. Neste momento em que as bancas brasileiras amargam uma das piores safras criativas das HQs de super-herói, tanto no hemisfério DC quanto no Marvel (que piada foi Guerras Secretas II, né?), a decisão da Panini Comics de trazer de volta as andanças do samurai Ogami Ittô pelas veredas da vingança representa mais do que exercício de nostalgia quadrinística. Trata-se de uma revisão estética da narrativa épica nas artes gráficas. Alma e coração da editora no Brasil, Levi Trindade merecia um HQ Mix (o Oscar dos gibis nacionais) pela qualidade da republicação do mangá com texto do octogenário Kazuo Koike e desenho de Goseki Kojima (1928-2000), lançado no Japão em 28 volumes, de setembro de 1970 a abril de 1976. Pois é… lá se foram 40 anos desde o encerramento da trama que ganhou fama global pelas vias do audiovisual, a partir de uma série de filmes, iniciada em 1972, estrelada por Tomisaburô Wakayama (1929-1992). No início dos anos 2000, Darren Aronofsky, o diretor de Cisne Negro (2010), tentou adaptar a cruzada revanchista de Ogami e de seu filho Daigoro para as telonas, mas o projeto não foi adiante. Para o diretor, o fascínio exercido pelo personagem vem de sua obsessão incontornável pela errância, motivada pela traição de que foi vítima após anos de serviço ao governo, no posto de executor. Além dessa dimensão trágica, Aronofsky e demais fãs do quadrinho são atraídos pela narrativa de dimensões cinematográficas de Kojima, capaz de evocar o melhor dos longas-metragens de Akira Kurosawa (1910-1998). Na última Comic-Com Experience (CCXP), o mestre Frank Miller, autor de Ronin e de Batman – O Cavaleiro das Trevas, teceu loas ao Lobo em entrevista ao P de Pop:

“Quando as histórias de Ogami Ittô caíram em minhas mãos, tive uma experiência sensorial como nunca havia provado antes, que me abriu uma nova perspectiva para a representação das cenas de ação”, elogiou Miller. “Naquele quadrinho, não apenas uma nova cultura se abria diante de mim, naquele mergulho na história do Japão, como uma nova forma de narrar apresentou-se para mim”.