O melhor da França, no Varilux e nas gemas do Cine Joia

O melhor da França, no Varilux e nas gemas do Cine Joia

Rodrigo Fonseca

01 de junho de 2017 | 12h35

“Rodin”: diretamente de Cannes para a seleta do Varilux, com um show silencioso do ator Vincent Lindon

RODRIGO FONSECA
Tem Varilux novinho vindo aí… Maior bunker do cinema francês nas Américas, o festival criado por Christian Boudier começa no dia 7 e vai até 21 de junho, passando por 55 cidades do Brasil (SP e RJ entre elas), com 19 títulos. Entre eles, estão iguarias quentinhas da disputa pela Palma de Ouro de Cannes como Rodin, de Jacques Doillon. Já em cartaz em seu país de origem, lotando sessões, o charmoso longa-metragem do realizador de Ponette (1996) revive momentos cruciais da criação artística de um dos maiores nomes da Escultura, François-Auguste-René Rodin (1840-1917), sintonizado com o centenário de sua morte. Construído a partir de uma fotografia requintada, sempre econômica no uso da luz, a fim de poder traduzir o lado mais sombrio do artista por trás de escultoras como O Pensador, o filme tem como protagonista o aclamado ator Vincent Lindon (premiado na Croisette em 2015 por O Valor de um Homem). A trama inclui a relação do artista plástico com a colega  Camille Claudel (Izïa Higelin).

“Este é um filme onde a iluminação vem de dentro, da introspecção. E há que se valorizar o silêncio no cinema. Se você sentar num restaurante e observar um casal apaixonado, perceberá que eles não falam nada, só se olham. E isso diz tudo. Mas se você reproduzir essa cena num filme, vão dizer que é insupotável, pois o silêncio incomoda. Precisamos mudar isso. O que incomoda é nossa submissão a formas de linguagens mais óbvias. O silêncio transpira troca… e verdade”, disse Lindon ao P de Pop em Cannes. A força do filme vem dele… falando pouco.

Além de Rodin, o Varilux tem como atrações obrigatórias a comédia Uma Agente muita Louca (Raid Dingue), de Dany Boon; o documentário sobre sustentabilidade ambiental Amanhã (Demain), de Cyril Dion e Mélanie Laurent; a love story Um Instante de Amor (Mal de Pierres), de Nicole Garcia, com Marion Cotillard e Louis Garrel de caso; e o drama cultural sobre xenofobia Tour de France, com Gérard Depardieu no auge da forma (taí o melhor de toda a programação, com trailer acima).

“Nocturama”: na tela do Joia

Antes, como um “esquenta” pro Varilux, o Cine Joia (em Copacabana) promove desta quinta até o dia 7 seu habitual Joias do Cinema, com uma gema imperdível Nocturama, de Bertrand Bonello. Fenômeno do último Festival de San Sebastián, a produção registra as ações de um grupo de jovens de diferentes classes sociais e etnias que percorre linhas de metrô e instituições parisienses espalhando explosivos plásticos. O filme é uma espécie de “jogral do terror”, o que faz dele uma narrativa polêmica no atual contexto europeu.

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