O melhor da Berlinale até aqui

O melhor da Berlinale até aqui

Rodrigo Fonseca

22 de fevereiro de 2020 | 16h32

Rodrigo Fonseca
Eis os achados da Berlinale 2020 até aqui:

“Kill It and Leave This Town”
, de Mariusz Wilczynski: Um arrebatador desenho animado polonês que funde várias histórias em uma cidade fria, na qual o abandono afetivo é o prefeito. Numa sequência de rasgar os nervos, um casal conversa em um necrotério enquanto costura o corpo de uma mulher morta – e o papo é visto do ponto de vista da pele do cadáver. Há ainda o extermínio de microsseres humanos picotados como se fossem sardinhas a serem enlatadas.

“First Cow”, de Kelly Reichardt: O roteiro mais original do evento até agora. Há várias várias mulheres realizadoras na briga pelo Urso de Ouro da Berlinale.70, entre as quais a atual estrela da cena indie dos Estados Unidos: Kelly Reichardt (de “Movimentos noturnos”), que foi jurada em Cannes, em 2019. Ela chegou à capital alemã para ganhar com este faroeste fofo, que foi calorosamente aplaudido. Na coletiva de imprensa, onde citou a diretora Ida Lupina, ela estava ao lado do ator Orion Lee. Ele é um dos protagonistas deste western sem bangue-bangue: o imigrante chinês King-lu, que trava uma relação de trabalho e amizade com o comerciante de peles Cookie (John Magaro). Os dois passam a fazer um exótico bolinho usando o leite roubado da vaca de um inglês rico (Tony Jones).

“Time to Hunt”, de Toon Sung-hyun:
É difícil encontrar um filme com voltagem mais alta do que “Sa-nyang-eui-si-gan”, cuja projeção abarrotou salas aqui no 70. Festival de Berlim. É uma narrativa que desafia os padrões da adrenalina elevados por Hollywood dos anos 1980 pra cá. A trama acompanha um ex-presidiário que, ao sair da prisão, é convencido por seus amigos a voltar ao mundo do crime e assaltar um cassino. A expectativa em torno dele, alimentada por seu trailer movimentado, está associada à atual febre em torno do cinema da Coreia do Sul, catapultado ao estrelato após os quatro Oscars conquistados por “Parasita”, no último dia 9. Nele temos o melhor personagem da seleção alemã: o assassino Han, papel que Park Hae-soo encara de forma magistral.

“Black Milk”, de Uisenma Borchu: Neste melodrama egresso da Mongólia, pilotado por uma diretora de teatro de reputação nos palcos, duas irmãs se reencontram para um acerto de contas acerca das tradições de sua terra natal.

p.s.: Nas mostras paralelas, onde o Brasil faz suas vozes ecoarem, “Cidade Pássaro”, de Matias Mariani, colou no gosto da Berlinale, sendo elogiado em muitas línguas, sobretudo pela retidão em sua construção de quadros ao contar o périplo de um músico nigeriano para encontrar seu irmão em São Paulo.

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