O Jeff Daniels de Mogi das Cruzes completa 30 anos de humor e elegância

O Jeff Daniels de Mogi das Cruzes completa 30 anos de humor e elegância

Rodrigo Fonseca

14 de setembro de 2017 | 10h32

Para comemorar seus 30 anos de carreira, Nelson Freitas retoma nos palcos do Teatro Riachuelo show de humor (e inteligência) que já atraiu 1 milhão de pessoas Brasil adentro

Rodrigo Fonseca
Reator nuclear de risos e ideias, especialista em flagrar o patético nas situações mais corriqueiras, Nelson Freitas faz o Brasil gargalhar há 16 anos à frente do Zorra Total, no qual desenvolveu um estilo único de composição unindo elementos de galã, de palhaço e de filósofo do dia a dia. Nos palcos, não há quem segure o “Kkk” quando ele faz suas performances de stand up. Vai acontecer isso nesta quinta, quando ele entrar diante do público do Teatro Riachuelo, no Passeio Público, no Rio, para começar uma curta temporada de diversão (e reflexão sobre o fado e o fardo de ser brasileiro). Mas há algo mais do que comédia em seu perfil de atuar e de construir piadas, calcado numa habilidade (única) de caracterizar fraturas expostas da alma brasileira em suas composições. Certa vez, quando saiu dos sets do sucesso de bilheteria O Concurso (2013), ele foi comparado ao (aclamado) ator dos EUA Jeff Daniels (da série The Newsroom), por sua elegância na forma de compor cenas cômicas. Esse requinte de elegância ele vai levar agora apara a novela Tempo de Amar, o novo folhetim das 18h.

“É um desafio novo, mas tenho um DNA de camaleão para me transformar no que o público preciso: é meu poder de X-Men”, brinca Nelson. “Comecei a ser ator, profissionalmente, em 1987, pelo universo de Jean Genet, fazendo Nossa Senhora das Flores no teatro, e não parei mais”.

Tem 30 anos que esse Jeff Daniels de Mogi das Cruzes usa as múltiplas ferramentas da inteligência para enobrecer a arte de fazer rir. É hora de comemorar essas três décadas de percurso. E a comemoração escolhida tem a forma do já citado espetáculo de teatro (num formato show) onde faz da saliva a água benta que sacraliza a graça oculta nos fatos mais mundanos da vida. A temporada desta festa (merecida) começa hoje (14 de setembro), no Rio, no charmoso Teatro Riachuelo, onde fica até 17 de setembro. De lá, ele vai para o Teatro Abel, em Niterói, nos dias 23, 24, 30 de setembro e 1 de outubro.

“Cada espetáculo que faço é único, sem uma fórmula determinada, composto em resposta à cada plateia, pautado na minha necessidade quase biológica de criar conexões… uma necessidade que me faz ser muita gente, gente diferente, a cada causo, a cada história que conto”, diz Nelson, que foi dirigido pelo mítico Chico Anysio na gênese do espetáculo. “Nestes 30 anos, fui vivendo arte para me entender. Se eu achei a diferença entre o Nelson de 30 anos trás e o de hoje… isso é questão pra levar pra análise… mas posso dizer que a inquietação esteve sempre comigo”.

Se Nelson entendeu (ou não) tudo de bom que criou nesse tempo – e que gerou, por exemplo, a genial atuação com que surpreendeu as artes cênicas, na peça Uísque Com Água, sobre Charles Bukowski -, não se sabe. Mas o público curtiu (e curte) cada face de sua criação. “Sou movido a fome, a bipolaridade”, diz o ator de 55 anos.

No binômio carisma + talento, os algarismos de Nelson sempre foram os mais altos. Sabe-se muito de sua faceta humorística por seu desempenho semanal no Zorra Total e em alguns filmes cômicos, mas pouco se reconheceu de seu leque de ferramentas para o drama, empregadas no longa-metragem Demoninho de Olhos Pretos (2008), no qual ele se divida entre múltiplas figuras decalcadas de Machado de Assis. Bastam dois minutos de participação no subestimado longa Eu Não Faço a Menor Ideias do Que Tô Fazendo com a Minha Vida (2012) – o qual ele engole, faminto – para que ele exponha o ar de galã caído, afetivamente subnutrido. Tem ainda dois filmes inéditos com ele por vir: Festa da Firma e Júlia É o Cara.

“Cada trabalho que assumo é uma forma de tornar o meu mundinho mais soft”, diz Nelson. “Vou quebrando o gelo e amansando minha fera”.

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