‘O Iluminado’ volta a assombrar o Brasil

‘O Iluminado’ volta a assombrar o Brasil

Rodrigo Fonseca

28 de outubro de 2019 | 19h57

RODRIGO FONSECA
De carona na estreia mundial de “Doutor Sono” (“Doctor Sleep”), com Ewan McGregor, no dia 7 de novembro, salas de cinema do mundo inteiro vão revisitar a imersão de Stanley Kubrick (1928-1999) ao universo do horror com reprises de “O Iluminado” (1980), que, em múltiplos cantos da Europa será projetado em cópias recauchutadas digitalmente. A versão digital do longa fez sua estreia mundial no Festival de Berlim, em fevereiro de 2017, quando a figurinista de Kubrick, Milena Canonero, foi homenageada pelo conjunto de sua carreira, contando segredos de bastidor do cult, que terá uma sessão no Rio de Janeiro, no Estação Botafogo, às 21h desta terça.
“Stanley sempre foi generoso em suas trocas criativas comigo, o que contraria fama injusta de excêntrico que ele tinha. Ele era um lorde com todos e tinha um olhar muito realista para o universo do hotel onde se passa a trama decalcada de Stephen King”, disse Milena ao P de Pop. “Como diretor exigente quer era, com o bom gosto, ele não queria nada caricato, nada que exegerasse o horror, pois tinha um interesse de fizéssemos um filme sobre uma família em ruínas, mais do que um filme de fantasmas”.
Era De Niro quem protagonizaria “The shining”, mas um desacerto com o roteiro (leia-se medo) fez ele abandonar o projeto. Técnicos convocados por Kubrick para a produção de US$ 19 milhões (cuja bilheteria, só nos EUA, chegou a US$ 44 milhões) falam de vultos que apareciam nos espelhos espalhados pelo cenário. Causos assim hoje espalham-se pela internet, indo desde portais especializados como o Metacritic a sites pipoca como Hugo Nebula, passando pelo jornal “The Guardian”, fazendo as supostas maldições de “O iluminado” ultrapassarem as lendas urbanas em torno de filmes também rodeados de mitos, como “O exorcista” (1973). Sua trama se passa no Overlook Hotel. Lá, o escritor alcoólatra Jack Torrance (Nicholson) se instala com a mulher, Wendy (Shelley Duvall), e o filho paranormal, Danny (Danny Lloyd), e começa a ver aparições que o enlouquecem. O aguardado “Doutor Sono” mostra Danny já adulto, lidando com assombrações do passado. Aquelas que Milena ajudou Kubrick a tornar um simulacro de realidade.
“Requinte era tudo para aquele projeto. Nas minhas memórias, sempre lembro de Stanley como um artista preciso, meticuloso em suas escolhas. Era alguém que valorizava a elegância e a economia de cor nos trajes”, disse a figurinista”. “O branco da neve é que devia ser berrante. Stanley defendia que o medo está na Natureza. E ela nos rodeia”.

Em 1980, Kubrick chamou Nelson Pereira dos Santos (1928-2018), que à época lecionava Cinema nos EUA, para dirigir a dublagem de “O Iluminado” por aqui. O diretor de “Vidas secas” pôs Allan Lima para fazer a voz de Nicholson e Betina Vianny para dublar Shelley. Falando desta gema do terror… nesta quarta começa a mostra “Stephen King – O Medo É Seu Melhor Companheiro no CCBB-SP.
p.s.: Laureado com uma Menção Honrosa e com o Prêmio da Crítica em Cannes, “O Paraíso deve ser aqui” (“It must be Heaven”), do palestino Elia Suleiman, será exibido na 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo nesta terça-feira, às 16h15, no Cinearte.

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