O Grande Dragão Belga vira sitcom

O Grande Dragão Belga vira sitcom

Rodrigo Fonseca

21 Dezembro 2017 | 19h57

Rodrigo Fonseca

Sensação da nova fornada de iguarias serializadas da Amazon Studios, “Jean-Claude Van Johnson” é um convite à redenção para um dos maiores vendedores de ingressos do cinema de ação dos anos 1980/90. Depois do mediúnico “Retroceder Nunca, Render-se Jamais”, o belga Van Damme passou a fazer parte indelével da cultura pop fisiculturista. Deu tanto lucro com seu domínio do boxe tailandês e pontapes dele derivados que reinou sob o império dos filmes. No Brasil, as filas para ver a sci-fi “Cyborg – O Dragão do Futuro” ocupavam múltiplos quarteirões. “Garantia de Morte” então fazia gente entupir os cinemas de rua de subúrbio. Mas aí ele caiu nas graças de Hollywood, indo estrelar joias do naipe de O Alvo (1993), que trouxe o chinês John Woo pra América, e TimeCop (1994). No esquemão da indústria, Van Damme não soube inventar pra si uma persona como a de Sylvester Stallone ou de Schwarzenegger. Acabou enredado na droga: a separação de Gladys, sua esposa mais famosa, e os boatos de sua suposta homossexualidade abalaram seu cacife de brucutu. Restou a ele cair nos narcóticos. E quanto mais se drogava, mais sua carreira naufragava.

“A gente erra na vida… e eu errei muito… não só pelas drogas, mas por ter caído nas mãos de produtores de quinta categoria”, disse ele ao P de Pop num encontro em Cannes, no fim dos anos 2000. “Quero me reerguer”.
Essa frase final coincidiu com a estreia do delicioso mockumentary “JCVD” (2009) e com a participação dele como vilão em “Os Mercenários 2” (2012). Mas a sdrie agora é um passo além, pelas vias da autocrítica.