O encanto de Uma Thurman no ‘Bang Bang’ de Cannes

O encanto de Uma Thurman no ‘Bang Bang’ de Cannes

Rodrigo Fonseca

22 Maio 2017 | 21h38

A estrela de “Kill Bill” preside o júri da mostra Un Certain Regard

RODRIGO FONSECA

Nenhum sorriso nesta Croisette consegue ser mais bonito, mais franco, mais sexy e mais odara do que o de Uma Thurman, a presidente do júri da mostra Un Certain Regard, paralela à Palma de Ouro. Nesta terça passarão por lá o francês Jeune Femme, de Léonor Serraille, e o badaladíssimo italiano Dopo La Guerra, de Annarita Zambrano – duas mulheres que serão recebidos com o carinho da eterna Noiva de Kill Bill. Ao ter seu nome citado, a atriz – mais linda do que nunca – faz uma reverência à plateia e aos colegas. Ao fim das projeções, nunca se nega a conversar com quem quer que puxe papo com ela sobre assuntos estéticos.

A atriz abraça Lucy Liu no set de “Kill Bill”

Por muitos anos, a presença dela em Cannes foi lembrada – de modo nada respeitoso – pelo episódio de 2011, quando na condição de jurada da Palma de Ouro, ela tomou um tombo feio ao tropeçar no próprio vestido. E tem quem gosta de lembrar dela como a estrela de um dos maiores fiascos do cinema: Uma Mãe Em Apuros (2009). Mas seu currículo – além de sua generosidade – exige mais atenção e cuidado com sua história nas telas. Indicada ao Oscar por Pulp Fiction (1994), ela teve um desempenho devastador em Ninfomaníaca – Volume 1 (2013). E estará no próximo filme de Lars von Trier: The House That Jack Built. Previsto inicialmente para 2018, este thriller do polemista professional que nos deu Melancolia (2011)vai ser antecipado para o segundo semestre deste ano, tendo Matt Dillon no papel de um psicopata que constrói uma estrada no crime ao longo de 12 anos de impunidade. A trama se ambienta nos anos 1970 e vai abordar os crimes de Jack com… humor (!), para reforçar o lado mais provocador do cineasta dinamarquês.

Jasmine Trinca tem atuação devastadora no papel central de ‘Fortunta’, de Sergio Castellitto

Para a sorte de Uma, na Un Certain Regard 2017, apareceram duas pérolas do Festival até agora. Uma delas é Western, um drama social de secura exasperante, rodado pela cineasta Valeska Grisebach com não atores: sua trama fala do choque entre operários alemães e búlgaros na construção de uma obra, onde a lei vigente é a xenofobia. A outra pérola é Fortunata, da Itália, dirigida pelo ator Sergio Castellitto. O enredo acompanha as peripécias de uma cabeleireira (Jasmine Trinca, excepcional) para driblar a pobreza, criar sua filha, fugir do ex violento e realizar seu sonho. E ainda teve por lá, para a apreciação de Uma, um filme de ação à moda indie americana com o alecrim do Oscar em sua massa: Wind River, de Taylor Sheridan. É um enredo de caça aos assassinos de uma índia numa reserva onde Jeremy Renner é o cacique branco. Nesta quarta, é por lá que passa o esperadíssimo thriller político latino La Cordillera, de Santiago Mitre, com Ricardo Darín, Paulina García e o ótimo ator brasileiro Leonardo Franco.

“120 Batimentos por Minuto” é a mais pura “solidarid’aids”: ativismo em foco

Os favoritos à Palma de Ouro até agora são: 120 Batimentos Por Minuto, de Robin Campillo; Happy End, de Michael Haneke; e The Square, de Ruben Ostlünd. O Brasil concorre numa seção paralela, a Semana da Crítica, com Gabriel e a Montanha, de Fellipe Gamarano Barbosa, que ganhou elogios da imprensa, sobretudo para o visual alcançado pelo fotógrafo Pedro Sotero.