‘O Comediante’ é o melhor De Niro em duas décadas

‘O Comediante’ é o melhor De Niro em duas décadas

Rodrigo Fonseca

04 de junho de 2017 | 14h19

De Niro é um humorista stand-up em busca do sucesso perdido que encontra o amor em Leslie Mann: “O Comediante” é o trabalho mais fino do ator desde “Cassino”

RODRIGO FONSECA
Escolhas infelizes tornaram-se uma constante na carreira de Robert De Niro desde Cassino (1995), deixando pouco espaço em sua trajetória de ganhador de dois Oscars para filmes capazes de nos surpreender como O Comediante (The Comedian) faz. Sem espaço em circuito brasileiro, o novo filme de Taylor Hackford (O Advogado do Diabo) é maior exercício recente de elegância do astro de Taxi Driver (1976), capaz de reciclar seus dotes para o riso e sua habilidade de espelhar conflitos do presente. Ajuste de Contas (2013), que De Niro fez com Stallone, também era prazeroso, mas aqui há um empenho a mais no ator ítalo-americano em resgatar a aposta no risco que marcava seu modo de interpretar nos anos 1970. Passa-se longe do padrão caricato da franquia Entrando numa Fria (2000-2010), que engessou-o. E tem, além dele, uma das atrizes de estilo mais fino na comédia americana contemporâneo: Leslie Mann (de O Virgem de 40 Anos).

Idealizado para Sean Penn dirigir e depois ofertado a Mike Newell, O Comediante faz do velho De Niro uma espécie de Seinfeld assombrado por um sucesso (e por erros) de seu passado. A habilidade de improviso que tem pode fazer dele um ás do humor stand-up de novo, mas seu coração há que ter paz para isso se concretizar. Obrigado a fazer trabalho voluntário para expiar pecados, ele conhece a solitária Harmony (Leslie) e enxerga nela um objeto para seu desejo e seus sonhos. Há espaço ainda para Harvey Keitel e Danny DeVito no elenco. A vitalidade que De Niro esbanja aqui evoca seus bons momentos em A Máfia no Divã (1999). Este ano, o astro filma ainda The Irishman, com seu velho amigo Martin Scorsese, ao lado de Al Pacino e de Joe Pesci.

Hackford prepara agora o drama romântico George and Tammy, com Jessica Chastain e Josh Brolin. Responsável por fenômenos populares como a cinebiografia de Ray Charles (o oscarizado Ray) e a love story A Força do Destino (1992), o cineasta tem um filmaço com Pesci e Helen Mirren (sua mulher há cerca de 30 anos) inédito até hoje em telas nacionais: Rancho do Amor (2010).

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