‘O Candidato Honesto’ na terra do ‘Parasita’

‘O Candidato Honesto’ na terra do ‘Parasita’

Rodrigo Fonseca

19 de fevereiro de 2020 | 13h16

Rodrigo Fonseca
Embasbacado diante dos US$ 190 milhões e dos quatro Oscars conquistados por “Parasita”, a indústria do cinema está de olhos esbugalhados na direção da Coreia do Sul, à cata de um novo fenômeno para chamar de seu, o que justifica a forte expectativa por “Time to hunt”, de Yoon Sung-hyun, na Berlinale 2020 (a sessão será neste sábado, na Alemanha), e a celebração em torno do êxito comercial de “An Honest Candidate” (“Jeong-jik-han hu-bo”). O título deste último soa familiar, evocando a mais pura brasilidade, por ser uma refilmagem à moda sul-coreana do blockbuster nacional “O Candidato Honesto”, visto por 2.298.981 pagantes em 2014. O roteiro do longa original, escrito pelo ás do riso Paulo Cursino e estrelado por Leandro Hassum, sob a direção de Roberto Santucci, renasce agora na Ásia, como um remake dirigido por Chang You-jeong (장유정). Cifras do HanCinema (www.hancinema.net), banco de dados audiovisual de Seoul, fala de 908 mil ingressos vendidos pela produção da última quinta-feira até ontem. Foi a atração cinematográfica mais vista por lá ne semana passada até hoje. Na trama da versão asiática, sai o lalau João Ernesto (papel de Hassum) e entra a congressista Joo Sang-sook (vivida pela atriz Ra Mi-ran). Ela é uma mentirosa profissional que perde sua vil habilidade de passar seus eleitores para trás quando mais precisa manter seus ardis. Essa perda vai levar seus planos de sustentabilidade no Poder pelo ralo… ou quase.
“Há um trabalho importante das comédias para manter a indústria girando. Acho importante mostrar que a gente está exportando ‘tecnologia’. Os caras estão copiando uma comédia brasileira e dando bilheteria para um filme no mercado que hoje é um símbolo”, comemora Santucci, um sinônimo de salas lotadas desde que lançou “De Pernas Pro Ar”, no fim de 2010. “Os coreanos ganharam o Oscar e entraram em Hollywood. E, agora, o cinema brasileiro está lá dentro vendendo ingresso e batendo recordes de bilheteria no fim de semana, segundo (o produtor de ‘O Candidato Honesto’) André Carreira apontou.”

No dia 9 de abril, Santucci e Cursino levam ao circuito o esperadíssimo “No Gogó do Paulinho”, com Maurício Manfrini (de “Os Farofeiros”) relatando seus fatos venérios em tela grande. “A gente precisa manter o cinema brasileiro vivo. Para poder se espantar e surpreender com novos filmes, novos realizadores”, diz Santucci. “Vamos manter as salas de cinema abertas para o cinema brasileiro”.

Vai rolar muito papo sobre Brasil na Berlinale 2020, que decola na quinta, a partir da projeção de “My Salinger Year”, de Philippe Falardeau, com Sigourney Weaver. Temos 19 filmes e duas séries no evento, incluindo “Todos os Mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, em competição. Ainda nas primeiras horas da maratona germânica será exibido o novo trabalho de Jia Zhanke. O artesão chinês vindo de Fenyiang ataca agora com “Swimming Out Till The Sea Turns Blue” é um mergulho documental de Jia num encontro literário em Shanxi. É uma investigação do realizador de “As Montanhas Se Separam” (2015) sobre os escritores de sua pátria, em sua relação com palavras e imagens. O Festival de Berlim segue até 1º de março.

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