O Bandoleiro de Jim Lee está de volta às HQs

O Bandoleiro de Jim Lee está de volta às HQs

Rodrigo Fonseca

29 de abril de 2022 | 09h45

Cole Cash, o Bandoleiro, foi criado por Jim Lee e Brandon Choi em 1992

RODRIGO FONSECA
Ainda que todas as efemérides das HQs se voltem, atualmente, para os 30 anos de Spawn, nascido em maio de 1992, e contemplado aqui com uma edição encadernada de “Hellspawn” pela New Order (https://newordereditora.com/), um outro personagem revelado ao mundo nerd sob o selo da Image Comics está comemorando três décadas e revigorado com novas edições nas bancas: Cole Cash, aka Bandoleiro. Conhecido por muitos por seu nome em Inglês, ou seja, Grifter, o assassino de mira mais infalível do que a do Pistoleiro (Deadshot) e do que a do Exterminador (Deathstroke) retorna com destaque ao Brasil, via Panini Comics, no ´labum “Batman Especial – Lendas Urbanas”, que já está à venda. Foram os R$ 32,90 mais bem gastos do ano, graças aos roteiros de Matthew Rosenberg e desenhos de Ryan Benjamin e Chris Sprouse, numa publicação que é só luxo e magia no resgate de um mascarado que marcou época nos anos 1990. Em 1996 e 1997, a editora Globo entrou numa vibe de importar a Image pra solo brasileiro e trouxe, de cara, os WildC.A.T.s de Jim Lee. Foi ele e Brandon Choi que criaram Cole, uma poço de carisma associado, anos a fio, pela revista “Wizard”, a bíblia dos gibis, ao ator Brad Pitt, num sonho nerdófilo de vermos aquele herói encapotado no cinema. Em 1999, Lee vendeu seu espólio para a DC e, em 2011, o Bandoleiro passou a integrar o universo DCnauta, o que justifica sua passagem por Gotham City, num duo com o Homem-Morcego.
Em sua criação, esse matador de uma destreza singular era treinado pelos Querubins, raça meio ET, meio celestial, para conter o avanço dos Demonitas, aliens das trevas, pela Terra. Mas o real motivo de sua entrega às causas do Bem era seu amor pela guerreira Devota. Nos anos seguintes, Cash ganhou um perfil menos romântico, mas preservou sua nobreza. A Panini está de parabéns por apostar em sua encapuzada figura. Esse merecia um filme, ou uma série. Por falar nisso, o maluco beleza Pacificador, que John Cena interpretou divinamente, está nas bancas na nova revista do Esquadrão Suicida. Vale uma olhadela.

Ainda no campo das HQs Panini: olho atento em “BAD MOTHER” Tratado sobre empoderamento feminino, disfarçado de “Breaking Bad”, esta minissérie de Christa Faust, desenhada por Mike Deodato Jr., sai agora no Brasil, encadernada, celebrando o charme de uma personagem gente como a gente: April Walters. Uma mãe suburbana falida até o último fio de cabelo, ela é obrigada a pegar em armas e inventar bombas quando sua filha é ameaçada por uma mafiosa. O roteiro é uma surpresa após a outra.
Outra dica: entusiastas do filmaço “The Batman”, de Matt Reeves, já na HBO Max, podem já encontrar nas bancas a coletânea “Robin nº1”, assinada por artistas como Gleb Melnikov, Jorge Corona e Joshua Williamson, narrando as peripécias de Damian Wayne, o filho violento de Bruce Wayne. Vale investir um troco também na HQ “Mulher-Gato nº6”, também já à venda, para conhecer melhor a (quase) vilã e paixão do Morcegão, que foi interpretada por Zoë Kravitz no longa.

p.s.: Falando de Brad Pitt, tem “Snatch: Porcos e Diamantes” (2001) na TV aberta neste fim de semana. Rola Guy Ritchie na Globo, na madrugada deste sábado, à 1h40. Na brilhante trama, Frankie Quatro-Dedos (Benicio Del Toro) é um ladrão de diamantes que também faz o trabalho de intermediário de peças roubadas. De passagem por Londres, ele precisa chegar até Nova York para vender alguns diamantes de seu chefe, Avi (Dennis Farina). Porém, a tentação é mais forte e ele acaba dando uma pausa em sua viagem para apostar em uma luta ilegal de boxe. Enquanto isso, dois promotores de lutas chamados Turco (Jason Statham, o muso do cineasta) e Tommy (Stephen Graham) se unem a um fazendeiro local, Coco de Tijolo (Alan Ford, numa assustadora composição, com seus dentes à mostra) , na tentativa de convencer Mickey O’Neil, um pugilista cigano vivido por um murmurante Brad Pitt, a participar de uma luta sem luvas, onde vale tudo. O’Neil inicialmente não aceita a proposta, mas termina concordando em participar de uma luta da dupla. Já Avi, impaciente com a demora de Frankie Quatro-Dedos, contrata “Bullet Tooth” Tony (Vinnie Jones) para encontrá-lo e trazer consigo os diamantes. Ritchie dá uma aula de montagem em sua narrativa nevrálgica sobre o gangsterismo inglês. À época de sua estreia, sua bilheteria beirou US$ 83 milhões. Em 2021, o cineasta lançou o magistral “Infiltrado”, com Statham, e volta a trabalhar com ele este ano em “Operation Fortune: Ruse de guerre”, que estreia em breve.

p.s.2: Tem “Aquaman”, de James Wan, na segunda-feira na “Tela Quente”.

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