O bagunceiro arrumadinho do humor na Berlinale

O bagunceiro arrumadinho do humor na Berlinale

Rodrigo Fonseca

23 de janeiro de 2020 | 12h18

Rodrigo Fonseca
Fala-se tudo e mais um pouco sobre o miolo competitivo do 70º Festival de Berlim (20 de fevereiro a 1º de março) uma vez que o evento insiste em não anunciar os concorrentes, aumentando as apostas em “Le sel des larmes”, de Philippe Garrel; em “The roads not taken”, de Sally Potter; e em “Eté 84”, de François Ozon, além de uma homenagem a Hayao Miyazaki. Mas já se sabe, com certeza, que a memória de Jerry Lewis (1926-2017) será celebrada por lá, com uma projeção especial de “O Professor Aloprado” (“The Nutty Professor”, 1963). Lisboa, nesta sexta, também vai revisar a trajetória do ás do riso, com uma sessão de “O Bagunceiro Arrumadinho” (1964) na Cinemateca Portuguesa. O tributo alemão ao astro e cineasta contará com cenas de bastidores raras, sob a apresentação do filho de Jerry, Chris Lewis.
“Humor é humor, não importa de onde venha, a questão é saber acionar o botão que aumenta o volume. Comédia é aumentar o volume”, disse Lewis ao P de Pop em 2013, em sua passagem pelo Festival de Cannes, onde lançou “Max Rose”, de Deniel Noah.
Baseado na literatura de Robert Louis Stevenson (1850-1894) em “O Médico e o Monstro” (1886), “O Professor Aloprado” põe Lewis (num desempenho magistral) como o químico Julius Kelp e seu alter ego, Buddy Love. Este derrete tímpanos cantando “That Old Black Magic”, de Johnny Mercer. O resgate do longa pela Berlinale vai explorar o requente musical da ptrilha composta por Walter Scharf para o filme. A produção faturou cerca de US$ 20 milhões nas bilheterias e estabeleceu-se como um dos maiores êxitos de Lewis, dublado no Brasil por Nelson Batista (1933-1998), um mito da voz.

Fora o anúncio de “O Professor Aloprado”, a maratona cinéfila germânica anunciou mais títulos para sua programação que deve totalizar uns 20 filmes do Brasil em mostras variadas e que trará a atriz britânica Helen Mirren como homenageada. Entre as atrações inéditas que chegam para reforçar o 70. Festival de Berlim, o maior destaque é “Police” (ou, em inglês, “Night Shift”), da diretora francesa Anne Fontaine (“Marvin”). Partindo do livro homônimo de Hugo Boris, a cineasta une duas das mais populares estrelas da França nas telas, na atualidade: Virginie Efira e Omar Sy. Na trama, os dois são agentes da força policial parisiense que, ao conduzir um estrangeiro ao aeroporto, a fim de leva-lo para deportação, percebem que a prisão dele encobre uma situação política delicada. Estima-se que esse projeto possa se tornar um dos acontecimentos do ano na venda de ingressos, dado o calibre de popularidade de seus protagonistas. Sy vem do fenômeno de 20 milhões de ingressos vendidos “Intocáveis” (2011). Virginie vem de cults como “Sibyl”, que disputou a Palma de Ouro em Cannes. Ainda na Berlinale Special: a seção vai incluir a produção russa “Persian Lessons”, de Vadim Perelman. Nahuel Pérez Biscayart e Lars Eidinger estão no elenco. Da Coreia do Sul, a terra de “Parasita”, vem “Time do Hunt”, de Yoon Sung-hyun.

Berlinale Special: Virginie Efira e Omar Sy em “Police”

A fim de celebrar o centenário de Federico Fellini (1920-1993), a ala de clássicos das telas da Berlinale projeta “A Trapaça” (“Il Bidone”, 1955) em cópia zero KM, digitalmente restaurada. E vai ter ainda “Um Peixe Chamado Wanda” (1988) em 4K, com Kevin Kline para apresentar a sessão. Estima-se que até o fim do mês todos os títulos do festival sejam anunciados. A atração de abertura deve ser divulgada nesta sexta. Fala-se em “Home”, thriller que marca a estreia da atriz alemã Franka Potente (de “Corra, Lola, Corra”) como realizadora, tendo Kathy Bates em seu elenco. O longa entraria em concurso pelo Urso. E fala-se na coprodução RJ x Lisboa “O Ano Da Morte De Ricardo Reis”, de João Botelho, com Chico Diaz, para competir.

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