Novo Rendez-Vous Avec Unifrance à vista

Novo Rendez-Vous Avec Unifrance à vista

Rodrigo Fonseca

30 de dezembro de 2020 | 12h16

RODRIGO FONSECA
Maratona promocional das estéticas audiovisuais do Velho Mundo na ficção, no documentário e na animação, o Rendez-Vous Avec Le Cinéma Français inaugura sua 23ª edição no dia 13 de janeiro, apostando em produções que prometem mobilizar milhares de pagantes e arrebatar prêmios 2021 afora. O evento é um fórum promocional anualmente elaborado pela Unifrance, órgão governamental responsável pela circulação mundial de filmes feitos em Paris, Marselha, Nice e arredores. Cerca de 90 títulos foram selecionados para essa maratona cinéfila, que, este ano, vai rolar via Zoom. Eis as principais atrações:
“POLICE”, DE ANNE FONTAINE: Filme de encerramento da Berlinale 2020. Este mergulho no universo da PM de Paris parte dos conflitos afetivos de três agentes da Lei na condução de um imigrante ilegal para fora de um país hoje assombrado pelo fantasma da xenofobia. O carisma de Omar Sy calça o diálogo popular do longa com as plateias, catapultando sua colega de cena, Virginie Efira, para uma apoteose.
“DNA” (“ADN”), DE MAÏWENN: Laureada com o Prêmio do Júri cannoise de 2011 por “Políssia”, a atriz e cineasta Maïwenn Le Besco explora em “ADN” suas raízes argelinas em uma narrativa nas raias do melodrama, que equilibra o mel com doses fartas de um rascante alumbramento político. Na trama que escreveu com Mathieu Demy (filho de Agnès Varda e de Jacques Demy), ela é Neige, a combativa integrante de um clã de gênese na Argélia, que chora a morte de um avô amado por todos. Tradições e mágoas represadas colidem no primeiro hemisfério do filme, no qual o enterro é preparado. O segundo ato é a jornada de Neige para se assumir como argelina e entender de onde veio o homem tão querido que manteve seus parentes unidos e conectados a partir de práticas de amor a uma pátria com a qual a França mantém uma dívida. E nesses dois extremos, Louis Garrel entra luminoso como o amigo de toda hora que junta e cola os cacos do coração de Neige. E o faz com um humor singular.

“LES DISCURS”, DE LAURENT TIRARD: Encarada como um candidato a blockbuster, a nova comédia do realizador de “O Pequeno Nicolau” (2009) acompanha os dilemas de Adrien (Benjamin Lavernhe) em meio a uma reunião familiar.
“SLALOM”, DE CHARLÈNE FAVIER: Amparado numa sofisticada fotografia, colecionando tons de azul e vermelho para traduzir os estados de espírito de sua protagonista, este estudo sobre a microfísica do Poder, segundo Foucault, segue os ritos de passagem de uma jovem atleta de esqui na neve (Noée Abita) às voltas com as obsessões e os desrespeitos de seu instrutor, o ex-campeão Fred (Jérémie Renier).
“UN TRIOMPHE”, DE EMMANUEL COURCOL: Ganhador do Prêmio Nobel, Samuel Beckett (1906-1989) soube, antes de morrer, que uma trupe de teatro formada por presidiários, que encenava seu “Esperando Godot”, fugiu da casa de espetáculos pouco antes da apresentação, deixando seu diretor em suspenso. E a Justiça estava lá, na toga de representantes do Judiciário, para avaliar aquela tentativa de inclusão. Neste filme, conduzido com sobriedade por Courcol, essa história é revisitada a partir do périplo do ator e encenador fracassado Étienne Carboni, vivido por Kad Merad, para trancafiar a má sorte nas grades de sua alma e alforriar a alegria de viver há muito perdida. Existe, no longa-metragem, um tom de bons sentimentos e boas ações à la “Intocáveis” (2011) e um clima We Are The World de “Patch Addams” (1998). Mas é uma tonalidade que perde tinta conforma conhecemos o mundo dos detentos e o universo interno, fraturado, de Étienne. O papel dá a Merad um solo memorável e uma chance de depurar sua própria persona.
“COMMENT JE SUIS DEVENU SUPER-HÉROS”, DE DOUGLAS ATTAL: Se a Marvel e a DC podem faturar milhões explorando o universo dos vigilantes mascarados, por que o cinema francês não pode tirar uma casquinha deste filão também? Aqui, uma dupla de policiais vai investigar o uso de uma droga que garantes superpoderes a seus usuários.
“DE GAULLE”, DE GABRIEL LE BOMIN: No auge do sucesso depois que gravou um disco com canções de Yves Montand, o ator e cantor Lambert Wilson dá vida ao estadista Charles de Gaulle (1890-1970) em um episódio tenso: em 1940, ele precisa encontrar uma estratégia para poder resistir ao avanço dos nazistas.

p.s.: À espera por “Um Príncipe Em Nova York 2”, que só estreia em março, na Amazon Prime, os cinéfilos estão aprendendo a revalorizar os filmes com Eddie Murphy, o que deve garantir uma audiência boa para “Mil Palavras” (2012), nesta “Sessão da Tarde”, às 15h. Calcada na fantasia, a trama de “A Thousand Words” é dirigida por Brian Robbins (de “Norbit”) e traz o gênio Mário Jorge como a voz dublada de Murphy na versão brasileira. O enredo: após um encontro com um guru espiritual, o agente literário Jack McCall (papel do eterno Tira da Pesada) encontra uma misteriosa árvore no seu jardim. Ele descobre que a cada nova palavra que pronuncia, uma folha cai e a árvore fica mais próxima do fim, o que poderá causar a sua própria morte. Agora, Jack terá que viver sua vida ao máximo, enquanto economiza as palavras que lhe restam. O riso é garantido.

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