Novo ‘Os Saltimbancos’ é um poético tributo ao Cinema

Novo ‘Os Saltimbancos’ é um poético tributo ao Cinema

Rodrigo Fonseca

04 Janeiro 2017 | 18h35

77 a os Saltimbancos Trapalhões
RODRIGO FONSECA

Mal começou o ano e já temos uma candidata ao posto de sequência antológica de 2017: a abertura de Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood, na qual Renato Aragão vai à festa do Oscar, nos EUA, buscar uma estatueta para Didi Mocó. Qualquer detalhe que se dê sobre ela é um convite a spoilers: o ideal, a partir do dia 19, quando este poético exercício de lirismo do diretor João Daniel Tikhomiroff entra em circuito, é sacar quem está na plateia, quem apresenta os prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e, em especial, como se faz a locução dela no Brasil. É uma crítica abrasiva num filme pautado pela doçura e pelo lirismo, que presta um tributo ao Cinema e ao Circo ao revisitar o clássico de Josip Brogoslaw Tanko (1906-1993). Aliás, não se trata de um remake e sim de um exercício de “revisitação”, repaginando situações e personagens, mas preservando o mesmo ambiente e a mesma premissa. Mesmo Didi não aparece com o perfil chapliniano padrão: o vagabundo errante de antes agora virou um autor, com a missão de escrever um musical para salvar o picadeiro que sempre chamou de seu

  Apoiado no roteiro de Mauro Lima (diretor do sucesso Meu Nome Não é Johnny), Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood é uma espécie de Amarcord de Aragão, uma vez que permite a este mito – o maior mito masculino vivo do Brasil na telona – mergulhar em suas próprias memórias cinematográficas, usando-as não como um documento de época, mas como matéria-prima de sonho. A partir de um resgate do clássico de Tanko e da peça homônima dele derivada em 2014, cria-se um novo e lúdico produto, calcado numa aventura de Didi para manter seu circo de pé. A luta dele tem um algoz bem definido, o Prefeito Gavião, defendido pelo ladrão de cenas Nelson Freitas, que cria um vilão deliciosamente caricato.

As músicas que marcaram gerações estão todas lá, com arranjos novos. Mas Meu Caro Barão ainda faz chorar como antes.