Novo (e bom) ‘Venom’ carnificina a concorrência

Novo (e bom) ‘Venom’ carnificina a concorrência

Rodrigo Fonseca

12 de outubro de 2021 | 13h25

Eddie Brock (Tom Hardy) é o hospedeiro de Venom

Rodrigo Fonseca
Simbionte alienígena egresso da dimensão da entidade chamada Beyonder, disfarçado como um uniforme extra do Homem-Aranha, Venom tem um superpoder de matar os Vingadores de inveja: driblar críticas negativas e se firmar como um campeão de bilheteria. “Venom: Tempo de Carnificina” tornou-se um fenômeno de bilheteria no Brasil, com cerca de 900 mil ingressos vendidos. Nos EUA, sua bilheteria beira US$ 185 milhões. Mesmo com toda a saraivada de ataques por parte de uma crítica que não embarca no anti-herói surgido como um tecido vivo em 1984 e reinventado como personagem por Todd McFarlane e David Michelinie. O primeiro filme, de 2018, faturou US$ 856 milhões, consagrando Tom Hady, o Bane de “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012), como vigilante do Bem (ou quase), sob a direção de Ruben Fleischer (“Zumbilândia”). O regresso de Hardy ao papel do jornalista Eddie Brock (que é fotógrafo nas HQs) em “Venom: Let There Be Carnage” é pilotado pelo eterno Gollum, o ator inglês Andy Serkis, que será o mordomo Alfred em “The Batman”. Serkis conta com o talento de Woody Harrelson para viver o vilão, o serial killer Cletus Kasady, que se reinventa com uma substância ET vermelha chamada Carnificina. No Brasil, Guilherme Briggs dubla Hardy (muito bem) e Hércules Franco dá voz a Harrelson.

Há um efeito visual vivo no filme de Serkis que faz toda a diferença na alquimia dos gibis Marvel com o cinema: o fotógrafo Robert Richardson (de “A Invenção de Hugo Cabret”), cujo olhar sabe traduzir fantasia como poucos. Ele embala com um colorido de quadrinho uma aventura sobre volta por cima – do Bem e do Mal – editada com velocidade de nave espacial por Maryann Brandon e Stan Salfas. Na trama, Brock e Venom, seu hóspede, vindo do espaço, andam numa DR irreconciliável, uma vez que o ser estelar precisa se alimentar de cérebros humanos. Em meio a essa batalha, Brock faz uma reportagem com Cletus (Harrelson, com a fúria habitual), um psicopata que morde o jornalista, extraindo de seu sangue filigranas do parasita que habita em seu organismo. O resultado de sua mordida é sua transformação no monstro chamado Carnificina, criado no planisfério quadrinhófilo em 1992, como um dos mais selvagens inimigos do Homem-Aranha. Aliás, este, hoje interpretado por Tom Holland, faz uma ponta no longa de Serkis. Aguarde as cenas pós-créditos e confira. Mas, até lá, delicie-se com um recheio pop de lutas coreografadas com histeria, mas com litros de adrenalina, e com o carisma de Hardy.
Acerca do supracitado quadrinista Todd McFarlane é urgente o regresso de seu mais famoso personagem, Spawn, um ex-militar que ganha poderes ao vender a alma ao demônio Malebólgia. Em 1997, o personagem ganhou as telonas, encarnado em Michael Jay White. Mas há rumores de seu regresso ao circuito.

p.s.: Fica ligado num filmaço brasileiro que está rolando na programação do Festival Cabíria, online: “Voltei!”, de Glenda Nicácio e Ary Rosa. Esta produção baiana se passa em 2030. Nessa ocasião futura, as irmãs Alayr e Sabrina estão ouvindo no radinho de pilha o julgamento que pode mudar os rumos de um país “sem energia”. Elas são surpreendidas por Fátima, a irmã que volta dos mortos para confraternizar nessa noite histórica. Basta uma visita à URL www.cabiria.com.br para se informar das atrações.

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