Novas ondas para o Aquaman Jason Momoa

Novas ondas para o Aquaman Jason Momoa

Rodrigo Fonseca

22 de junho de 2020 | 11h11

Rodrigo Fonseca – #FiqueEmCasa
É noite de Jason Momoa na TV aberta, à frente de “Braven – Perigo na Montanha” (2018), na “Tela Quente”, às 22h30 na Globo/Globoplay, encarnando um madeireiro que protege seus familiares de traficantes, ao mesmo tempo em que o astro de 40 anos volta a mobilizar atenções, na web, como Aquaman, por conta esperadíssimo “Synder’s Cut” de “Liga da Justiça” (2017). Todo dia cai na internet uma novidade sobre a “versão do diretor” do filme sobre os Superamigos, que vai ser lançado em 2021 na estreia do HBO Max apresentando o desenho original que Zack Snyder idealizou para os super-heróis da DC. Uma tragédia familiar (o suicídio de uma filha) obrigou o realizador de “300” (2007) a se afastar do projeto. Mas, agora, a visão dele entra em cena, tendo Momoa como o representante de Atlântida. Ao mesmo tempo, ele se prepara para a parte dois do fenômeno “Aquaman” (2018), também com James Wan na produção. O original está na grade da Amazon Prime, além de passar sempre nos canais HBO. Pra quem gosta do herói, a Panini Comics acaba de lançar uma aventura nova dele, encadernada, mostrando sua luta para reconquistar seu trono nos oceanos, ao lado de sua rainha, Mera, com quem precisa contrair núpcias oficialmente, após ter sido dado como morto.

Cria das trevas, responsável pelas duas franquias que melhor assombraram as duas últimas décadas na seara do terror (“Jogos mortais” e “Invocação do Mal”), Wan foi contratado pela DC Comics/Warner para dirigir “Aquaman” não apenas por sua artesania sofisticada ou por sua forte comunicabilidade com multidõe. A intimidade do realizador australiano (de DNA meio malaio, meio chinês) com a fantasia pesou. Era necessário alguém com o entendimento do que existe de subtexto fantástico… ou mais, de mágico… nas jornadas heroicas a fim de eliminar do Rei dos Mares toda a chacota em torno de sua figura. Chacota decorrente do desenho animado caricato estrelado por ele de 1967 a 1970 na rede CBS, com direito a cavalo marinho como montaria. É o domínio (crescente) de Wan sobre as narrativas da magia que torna esta aventura solo do super-herói criado em 1941 (por Paul Norris e Mort Weisinger, na edição número 73 do gibi “More Fun Comics”) uma das pipocas mais saborosas de 2018, quando a Marvel reinou só, com “Pantera Negra” e “Vingadores: Guerra Infinita”.

Vigilante marvete algum pode se queixar da verve heroica (e debochada… e abusada… e sexy) de Jason Momoa como Arthur Curry, o alter ego do legítimo Rei da Atlântida. Momoa é um poço de carisma, alinhado à incorreção política, salpicando provocação a uma narrativa que lembra “Excalibur”, de John Booman. A trama, supervisionada pelo editor e quadrinista Geoff Johns (de “Gavião Negro”), é pautada pela guerra ao trono do Reino Submarino. E é temperada pela marca autoral de Wan: seus filmes sempre se estruturam sob a lógica de alguém que produz o Mal por algum ato negligente (como se vê aqui na gênese do humanizado vilão Manta Negra), sobre formas de orfandade (Curry é abandonado pela mãe, Atlanna, vivida por Nicole Kidman, quando guri) e sobre manifestações de amor um tanto fora de época, assumidamente cafonas, como se vê no cinema romântico da Ásia.

Há uma breguice explícita no enamoramento entre Aquaman e a princesa Mera (Amber Heard), assim como nas tramas melodramáticas paralelas, ligadas ao fato de o inimigo nº1 do protagonista ser seu irmão invejoso, Orm, o Mestre do Oceano, vivido por Patrick Wilson, ator xodó de Wan. A explícita cafonice personaliza o filme como fábula, sem diluir a injeção de adrenalina que o diretor aplica no roteiro a cada virada, com sequências de ação de rigoroso apuro plástico (sobretudo a luta de Atlanna nos minutos iniciais). Repleto de bons atores, incluindo Willem Dafoe como Vulko (o Paulo Guedes da Atlântida), o longa-metragem ainda repagina o astro brucutu Dolph Lundgren, perfeito no papel do Rei Nereus.
Na versão brasileira, um dos melhores dubladores do país na atualidade, Francisco Júnior, dá voz a Aquaman. É ele quem dubla Momoa em “Braven – Perigo na Montanha” também.

p.s.: O Grupo Bestas Urbanas lança o projeto virtual “Ideias para uma encenação futura”, com vídeos exibidos na página do instagram @bestasurbanas e no site do Centro Cultural da Justiça Federal. A ideia é partir da dramaturgia de “Só percebo queestou correndo quando vejo que estou caindo”, próximo espetáculo do grupo, para imaginar as cenas durante a quarentena, com episódios publicados quinzenalmente, às quintas-feiras – o primeiro vídeo já está no ar e o segundo será lançado esta semana. O texto de Lane Lopes, com direção de Francisco Ohana, acompanha a história de uma mulher, Mônica, que sai em busca de sua calcinha e de sua individualidade perdida, e procura outras formas de existir em um mundo no qual o ser humano é hiperativo, hiperestimulado e está constantemente cansado. Futuramente, o espetáculo vai estrear no Centro Cultural da Justiça Federal, no Centro. Enquanto isso, a peça “Bestas Urbanas”, que batizou o grupo, também será exibida no site do CCJF.

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