Novas apostas para a Berlinale 2022

Novas apostas para a Berlinale 2022

Rodrigo Fonseca

22 de dezembro de 2021 | 09h53

“The Northman”, de Robert Eggers, é encarado como uma potencial escolha para a abertura da 72ª Berlinale

RODRIGO FONSECA
Embora siga firme e forte no plano de fazer sua 72ª edição presencial, a Berlinale pode ter que mudar seus planos e passar sua programação, agendada de 10 a 20 de fevereiro, para uma versão online, como aconteceu em março deste ano. Roterdã não resistiu e anunciou, nesta quarta, sua mudança pro ambiente virtual. Essa hipótese acerca do futuro do Festival de Berlim já agita o mercado cinematográfico, com apostas para as vagas na competição pelo Urso de Ouro de 2022. Há, inclusive, a expectativa de o evento ser aberto por Robert Eggers e seu brutal “The Northman”, sobre vikings em fúria. Fala-se desde já em possíveis concorrentes:

“MUSIK”, DE ANGELA SCHANELEC (Alemanha): Três anos depois de conquistar o prêmio de melhor direção no próprio Festival de Berlim por “Eu Estava Em Casa, Mas…” (2019), a realizadora alemã volta ao evento com um drama regado a Complexo de Édipo. Na trama, um rapaz germânico criado por uma família adotiva na Grécia mata um sujeito sem saber que este é seu pai biológico. Na prisão, ele viverá uma história de amor com uma agente penitenciária mais velha, sem saber que esta é sua mãe verdadeira.
“ALCARRÀS”, DE CARLA SIMON (Espanha): Com base em um elenco de atores não profissionais de Lleida, a realizadora de “Verão de 1993” (2017) acompanha a realidade de trabalhadores rurais ibéricos de uma cidadezinha catalã. A morte de um patriarca local detona crises afetivas entre os moradores da região.
“SUBTRACTION”, DE MANI HAGHIGHI (Irã): O maior bamba do humor no cinema iraniano aposta em uma narrativa de mistério para falar de conterrâneos que tentam escapar das censuras de seu regime político.
“MALI TWIST”, DE ROBERT GUÉDIGUIAN (França): Um dos artesões do cinema político do Velho Mundo revive as tensões políticas do Mali dos anos 1960 a partir da história de amor proibida de um jovem casal de dançarinos de Twist: Lara e Samba.
“MY POLICEMAN”, DE MICHAEL GRANDAGE (EUA): O diretor de teatro inglês responsável pelo cult “O Mestre dos Gênios” (2016) volta às telas adaptando o romance de Bethan Roberts sobre a cena LGBTQ+ inglesa dos anos 1950 a partir do confronto entre um policial (Rupert Everett) e seus desejos.
“THE BATMAN”, DE MATT REEVES (EUA): Uma vez que Berlim fechou sua programação de 2017 com “Logan”, de James Mangold, seria bem provável vermos Robert Pattinson emprestando todo o seu carisma ao jovem Bruce Wayne numa Gotham doentia, assombrada pelo gângster Oswald Cobblepot, o Pinguim, confiado a Colin Farrell, e um psicopata cheio de enigmas apelidado de Charada (Paul Dano.
“FEU”, DE CLAIRE DENIS (França): A diretora de “Bastardos” (2013) põe Juliette Binoche num dilema amoroso entre um amor maduro do passado e um querer jovial do presente. Vincent Lindon integra o elenco.
“PALOMA”, DE MARCELO GOMES (Brasil): O realizador de “Joaquim” (2017) pode voltar ao festival que sempre o acolhe para narrar a luta de uma mulher trans para se casar na igreja, à moda antiga, em um rincão machista do Nordeste.
“CHOCOBAR”, DE LUCRECIA MARTEL (Argentina): Quatro ano depois do aclamado “Zama”, a diretora argentina aposta nas narrativas documentais, explorando os bastidores políticos da morte do militante indígena Javier Chocobar por latifundiários.
“LES PASSAGERS DE LA NUIT”, DE MIKHAËL HERS (França):
O realizador de “Amanda” (2018) dá a Charlotte Gainsbourg o papel de uma mãe de família que, abandonada pelo marido, vira radialista e adota uma jovem como sua protegida, passando por uma reeducação sentimental.
“THE OCCUPIED CITY”, DE STEVE MCQUEEN (Inglaterra): Um estudo documental do diretor de “Small Axe” sobre a ocupação dos nazistas na Holanda, a partir de uma pesquisa arquitetônica.
“THE WAY OF THE WIND”, DE TERENCE MALICK (EUA): Apoiado num elenco monumental (Matthias Schoenaerts, Mathieu Kassovitz, Aidan Turner, Mark Rylance, Ben Kingsley), o realizador de “A Árvore da Vida” (2011) investiga a vida de Cristo por ângulos inusitados.
“A JOURNAL FOR JORDAN”, DE DENZEL WASHINGTON (EUA): Embora vá ser lançado em 22 de dezembro deste ano, a fim de concorrer ao Oscar, este drama de guerra deve tentar o Urso berlinense com a história real do soldado Charles Monroe King (papel confiado a Michael B. Jordan, de “Creed”), que deixou um diário para o filho, antes de morrer em Bagdá.
“HOW DO YOU LIVE”, DE HAYAO MIYAZAKI (Japão): Berlim está sempre atenta às boas novas do Studio Ghibli, cujo patrono parece ter, enfim, finalizado o seu novo desenho animado sobre o processo de amadurecimento de um rapazinho e a sua convivência com um tio e os amigos.
“PETITE FLEUR”, DE SANTIAGO MITRE (Argentina): No novo filme do realizador de “Paulina” (2015), o ator uruguaio Daniel Hendler vive um homem obcecado com a ideia de que o seu vizinho é um inimigo.

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