Noite de ‘Creed’, terça de ‘Rocky’

Noite de ‘Creed’, terça de ‘Rocky’

Rodrigo Fonseca

08 de novembro de 2021 | 17h48

“Creed II” custou US$ 50 milhões e faturou US$ 214 milhões

RODRIGO FONSECA
Está marcada para quinta-feira a sessão internacional de “Rocky 4: Rocky vs. Drago: The Ultimate Director’s Cut”, uma releitura de Sylvester Stallone para a batalha épica entre o eterno Balboa e Ivan Drago, boxeador imortalizado por Dolph Lundgren, em 1985, numa superprodução cuja bilheteria beirou US$ 300 milhões, em sua época. Esta noite, na Globo, na “Tela Quente”, os dois vão se enfrentar em “Creed II” (2018). A sessão será às 23h45. Seu orçamento foi de US$ 50 milhões e seu faturamento chegou a US$ 214 milhões, amparado nas manhas de Rocky e no pulso firme de seu protagonista: o pugilista Adonis Creed, interpretado por Michael B. Jordan (dublado aqui por Renan Freitas). A voz de Stallone por aqui é de Luiz Feier Motta.
Revelado no Festival de Sundance de 2015, com o drama juvenil “The Land”, Steven Caple Jr. tomou pra si a direção de “Creed II” na esteira da consagração autoral de Ryan Coogler, realizador do filme anterior da franquia, com “Pantera Negra” (2017). O sucesso de Coogler nas florestas de Wakanda fez com que este optasse apenas por um posto de produtor executivo. Ele deixou o caminho livre para outro cineasta pilotar a saga de Adonis, no auge do êxito de B. Jordan, e da reciclagem midiática da imagem de Stallone, com a conquista do Globo de Ouro, em 2016, pelo regresso (já grisalho) de Rocky Balboa. A tarefa era difícil, mas Caple Jr. executou-a de maneira impecável, não apenas pela alquimia plena entre sua concepção de tônus trágico de planos e o enquadramento convulsivo do fotógrafo Kramer Morgenthau (de “Game of Thrones”), mas por sua aposta na dimensão afetiva dos antagonistas. Nem John G. Avildsen (1935-2017), artesão por trás do primeiro e do quinto filme da franquia Balboa, foi capaz de dar tanto relevo emocional aos adversários dos heróis pugilistas da Filadélfia como Caple Jr. faz aqui, a partir do roteiro de Juel Taylor e do próprio Stallone, com o apoio de Dolph Lundgren. O Maciste sueco dá à figura derrotada de Ivan Drago uma dimensão de mito caído, de Prometeu acorrentado a um passado falido, tão vívida e doída quanto a imagem envelhecida e enlutada que Stallone soube construir para o Garanhão Italiano.

Na trama, Drago regressa de um buraco ucraniano, 32 anos após ter matado Apollo Creed, o Doutrinador (Carl Weathers), para desafiar o herdeiro deste, Adonis (Jordan, sempre preciso). Os punhos que hão de bater de Adonis não serão os de Drago e sim de seu filho, Viktor, vivido por Florian Munteanu. Este, apesar de ter poucos recursos cênicos, transmite uma angústia que nenhum rival de Rocky teve. Na montagem, a edição das viradas dramáticas de afeto, paralelas aos combates, são tão frenéticas quanto as lutas em si. E o auge da fúria vem quando uma velha conhecida da série, Ludmilla (Brigitte Nielsen, a ex de Sly), a mãe de Viktor, reaparece, como um mimo cinéfilo. Seu desdém dói mais que qualquer nocaute, num filme que coroa o desejo de Lundgren de envelhecer como um ator respeitável, reinventando-se assim como Stallone se reciclou. E assim como Brigitte traz potência do feminino para um universo sobre os códigos da virilidade e do emasculamento, as atrizes Tessa Thompson (como Bianca, a mulher de Adonis) e (a ótima) Phylicia Rashad, a viúva de Apollo, têm espaço em cena para escavarem complexidade para suas personagens.
Falando em Balboa… a atração desta terça, no Megapix, é uma programação com os oito filmes da franquia “Rocky”, a partir das 08h55. A maratona começa com “Rocky – Um Lutador”, Oscar de melhor filme de 1977, até chegar às peripécias de Creed. A voz brasileira de Stallone por aqui, até 1997, era de André Filho. E foi ele quem dublou Sly no longa original dos anos 1970. Este ano, Seu Sylvester estrelou “Os Mercenários IV” e ainda finalizou “Samaritano”, longa de super-heróis que será lançado em 2022.

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