No acordes e nos sonhos de Desplat

No acordes e nos sonhos de Desplat

Rodrigo Fonseca

09 de maio de 2020 | 11h22

Rodrigo Fonseca
Escalado para musicar a versão animada de “Pinóquio” dirigida por Guillermo Del Toro, o compositor e maestro Alexandre Desplat, o novo Ennio Morricone das telas, regressará ao circuito – assim que este reabrir, pós-40ena – nos acordes do esperado “The French Dispatch”, de Wes Anderson, seu habitual parceiro. “O Grande Hotel Budapeste” (2014), o maior sucesso de bilheteria de WA, deu a ele seu primeiro Oscar. O segundo veio por “A Forma da Água”, o Leão de Ouro de 2017. E ele ainda foi indicado outras vezes, por produções aclamadas como “O Jogo da Imitação” (2015), que a HBO exibe no dia 12, às 17h10, e no dia 17, às 8h50. Fã da MPB desde os 13 anos, quando passou a integrar um coral (“Ainda jovem, comprava todos os vinis de música brasileira que podia comprar, desde Sivuca e Rosinha de Valença até Evandro do Bandolim”, disse ele, ao site C7nema, de Lisboa), Desplat é hoje o mais disputado músico da indústria do audiovisual pelo refinamento de suas partituras e pela elegância de sua condução, tendo um processo colaborativo com cineastas autorais. Um de seus trabalhos mais recentes é “O Oficial e o Espião”, ganhador do Grande Prêmio do Júri em Veneza – troféu dado ao artesão Roman Polanski -, que está disponível em plataformas digitais como o Google Play, Youtube, Now, Vivo e iTunes. Aplaudido vorazmente em sua passagem pelo Lido, o longa-metragem, “J’Accuse” no original, foi um dos maiores sucessos de bilheteria da França em 2019. Não por acaso, Desplat resolveu apoiar a Unifrance, órgão responsável pela promoção do audiovisual francófono, nestes dias de isolamento provocado pelo coronavírus, conversando com jornalistas do mundo todo.
“Ao lado de Tom Jobim, Edu Lobo rapidamente tornou-se o meu compositor favorito”, disse o músico ao P de Pop, por e-mail. “A realidade da música de cinema na França é diferente do que se vê em Hollywood pela importância narrativa dada à composição na indústria americana e pela atenção dada ao fabrico das melodias com meios de produção e estúdios superiores aos usados em solo francês”.

Hoje com 58 anos, Desplat sonha ganhar um disco solo, assim como sonha um dia esbarrar com Chico Buarque em Paris. A pedido do Estadão, ele sugeriu um filme para os cinéfilos conferirem nestes tempos de espera. “Sugiro ‘Amarcord’, de Fellini, e a música poética de Nino Rota”.

p.s.: Três anos depois de conquistar a Palma de Ouro em Cannes com “O Pianista” (2002), pelo qual abocanhou ainda o Oscar de melhor direção, Roman Polanski rodou uma adaptação de “Oliver Twist”, de Charles Dickens (1812-1870), com um orçamento de US$ 60 milhões, transformando a fina prosa sobre menores abandonados em um espetáculo cinematográfico à moda de clássica de requinte narrativo singular. Nesta madrugada, às 2h20, a Globo exibe o longa-metragem no “Corujão”. No Brasil, Gustavo Pereira dublou o então pequeno Barney Clark, que vive Twist. Já a brilhante atuação de Ben Kingsley como Fagin, lacraia que explora crianças carentes, coube ao gênio Jomeri Pozzoli. Orçada em US$ 60 milhões, a produção só arrecadou US$ 42 milhões nas bilheterias, pelo planeta afora.

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