Nenhum riso é mentirinha com Adam Sandler

Nenhum riso é mentirinha com Adam Sandler

Rodrigo Fonseca

01 de abril de 2020 | 11h18

“Esposa de Mentirinha” (“Just Go With It”, 2011) é um dos maiores sucessos recentes do astro

Rodrigo Fonseca
Laureado com um merecidíssimo troféu de melhor ator no Independent Spirt Awards por seu desempenho memorável em “Joias Brutas”, Adam Richard Sandler – transformado hoje, aos 53 anos, na estrela mais rentável da Netflix – encabeçou alguns dos maiores sucessos da comédia americana de 1998 a 2011, período no qual emplacava uma média de bilheteria de US$ 100 milhões por filme. Nesse período, protagonizou duas obras-primas: “Embriagado de Amor” (prêmio de melhor direção para Paul Thomas Anderson, em Cannes, em 2002) e “Como Se Fosse a Primeira Vez” (2004). Teve ainda a oportunidade de emprestar seu rosto, o humor autoral furibundo que virou sua marca, e sua voz ao Conde Drácula animado da trilogia “Hotel Transilvânia”, do moscovita radicado nos EUA Genndy Tartakovsky. Recentemente, ele ainda brilhou na web com o curta “Goldman v Silverman”, dos irmãos Josh e Benny Safdie, mesma grife de “Joias…”. No Brasil, Sandler é sinônimo de Alexandre Moreno, o Midas da dublagem nacional, que realça o relevo tragicômico das atuações do comediante. Relevo que pode ser melhor avaliado na “Sessão da Tarde” desta terça-feira na Globo, às 15h, na transmissão de “Esposa de Mentirinha” (“Just Go With It”, 2011), um de seus últimos fenômenos de $ em circuito exibidor. Depois dessa fase theatrical, ele caiu no streaming de vez. Mas a atração deste 1º de abril na TV aberta é um resquício dos bons de sua fase telona, com direito a uma parceria com a sempre saltitante Jennifer Aniston. E, pra melhor, a atriz ganha, na telinha, na versão brasileira, os miados de Élida L’Astorina, uma das mais talentosas dubladoras do país, cujo timbre encaixa com o de Jennifer à perfeição.

Talhado para ser visto a dois, de mãos dadas, “Esposa de Mentirinha” custou US$ 80 milhões e faturou US$ 214 milhões. Dirigido por Dennis Dugan (que comandou Sandler no ótimo “Zohan: O Agente Bom de Corte”), este vaudeville contemporâneos acompanham as trapalhadas do cirurgião plástico Danny (Sandler, afiadíssimo) para conquistar uma mulher bem mais jovem, Palmer (Brooklyn Decker), mas com um superego de Matusalém. Sua solução é fingir que tem uma ex-mulher chave de cadeia, que carrega dois filhos em dias de carência. A escolhida para fingir ser sua ex é sua assistente, Katherine, papel que Jennifer desenrola com uma galhardia maior do que a seus tempos de “Friends”. No enredo, Danny leva Katherine, seus pimpolhos de mamãe zoeira e Palmer para um resort havaiano onde toda a sorte de confusões vai se desenrolar. Tudo piora com a aparição de uma rival de Katherine de tempos de colegial, uma mistura às avessas de carisma e companheirismo, com berros de carneiro em sua vozinha rascante, chamada Devlin, figura invejosa encarnada por Nicole Kidman. Na “Sessão da Tarde”, Nicole é dublada por Miriam Ficher. Na “Sessão da Tarde”, Nicole é dublada por Miriam Ficher. Vale destacar a força plástica com que o Havaí aparece no filme, com sua luz natural realçada pela fotografia do holandês Theo van de Sande (de “Blade, o Caçador de Vampiros”).

Para o fim do ano, em meados de outubro, Sandler prepara um novo longa: “Hubbie Halloween”, no qual vai salvar o Dia das Bruxas dos gringos.

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