Nelson Xavier, o diretor

Nelson Xavier, o diretor

Rodrigo Fonseca

10 Maio 2017 | 12h17

Nelson Xavier divide com Ruy Guerra a direção de “A Queda”, ganhador do Urso de Ouro em Berlim, em 1978

RODRIGO FONSECA

É inestimável a perda de Nelson Xavier, assim como são incalculáveis seus préstimos à arte brasileira, em seu coletivo de trabalhos como ator. Mas sua morte pode (e deve) dar visibilidade ao conjunto de filmes que ele assina como diretor, a começar por A Queda, a continuação de Os Fuzis (1964), na qual ele divide a realização com Ruy Guerra. Mais do que um marco político, a produção serve como um dos pilares da trajetória de internacionalização do nosso cinema, uma vez que saiu do Festival de Berlim de 1978 com um Urso de Prata, de Grande Prêmio do Júri, levando o conceito nacional de luta de classes para o mundo. Em 1979, ele filmou Linguagem Musical: Espontaneidade e Organização (1979), um curta-metragem, voltando ao formato em 1989 com Vamos à Disneylândia (também conhecido como Vam’pa’Disneylândia), pelo qual foi premiado no Festival Infantojuvenil de Cinema de Moscou. Seus exercícios como cineasta são poucos, mas representativos da inquietação que marcou sua trajetória nas telas, na TV e nos palcos.