Nelson Pereira reluz na streaminguesfera

Nelson Pereira reluz na streaminguesfera

Rodrigo Fonseca

26 de janeiro de 2021 | 12h32

O realizador Nelson Pereira dos Santos em entrevista ao site do Itaú Cultural: o Globoplay está revisitando seus filmes

RODRIGO FONSECA
Dá muita alegria navegar pela streaminguesfera e encontrar em plataforma nacional, o Globoplay, finos exemplares da filmografia do pai do cinema moderno no Brasil, festejado entre críticas/os e entre seus colegas imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL) por seu empenho em prol da difusão do filme brasileiro em variadas latitudes, o diretor Nelson Pereira dos Santos (1928-2018). De cara, no menu do www.globoplay.com.br, encontra-se o colossal “Vidas secas” (1963), baseado na prosa de Graciliano Ramos (1892-1953). Exibido no Festival de Cannes de 1964, na disputa pela Palma de Ouro, o filme, que saiu da Croisette com o Prêmio Humanitário da Organisation Catholique Internationale du Cinéma et de l’Audiovisuel, segue um marco da reflexão sociológica. O mesmo vale para outra incursão dele pela literatura de Graciliano: “Memórias do Cárcere”, premiado pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica na Quinzena dos Realizadores de 1984. Este também está no site de exibição da Globo. Em uma de suas últimas entrevistas, falando ao P de Pop, Nelson contou: “Continuo gostando do Graciliano da mesma forma. Outro dia estava relendo um de seus livros, ‘Angústia’. Taí uma adaptação para o cinema que gostaria de ter feito”, disse o mestre. Visto como “o” medalhão dos medalhões em nosso audiovisual, Nelson entrou no Globoplay ainda com “Rio 40 Graus” (1955), alvo de patrulhamento ideológico à sua época por expor a microfísica da exclusão no país.

Carlos Vereza vive Graciliano em longa-metragem premiado em Cannes

Colega de Nelson nas pelejas do Cinema Novo, movimento dos anos 1960 responsável por buscar uma revolução nas formas de representação do Brasil no audiovisual, Leon Hirszman (1938-1987) também encontrou uma janela para iluminar o streaming via Globoplay, que abriu espaço em seu cardápio de iguarias estéticas para “Eles Não Usam Black-Tie” (1981). A versão cinematográfica da peça homônima de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Veneza há 40 anos, empatada com “Sogni d’Oro”, de Nanni Moretti.

p.s.: Falando de Globoplay, tem lá “À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA” (1964), de José Mojica Marins (1936-2020), o que é para ser louvado aos Céus… e aos Infernos. É a gênese da trilogia do maior mestre brasileiro de horror sobre o périplo do coveiro Josefel Zanatas, o Zé do Caixão, para encontrar uma mulher capaz de gerar um filho com a pureza genética e espiritual dignas de controlar o mundo. A inventividade de sua direção surpreende até hoje.

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