Nelson Pereira dos Santos eterno, a 40 graus

Nelson Pereira dos Santos eterno, a 40 graus

Rodrigo Fonseca

07 de janeiro de 2020 | 10h16

Cena de “Rio 40 Graus” (1955), que vai ser exibido em cópia 35mm

Rodrigo Fonseca
É dia de celebrar o pai do cinema moderno no Brasil. Vai rolar uma projeção de “Rio 40 Graus” (1955), numa dobradinha entre a Cinemateca do MAM-RJ e o Espaço Itaú, às 18h30 desta terça: é Nelson Pereira dos Santos (1928-2018) na veia, e nas retinas. Sob a curadoria de Ricardo Cota, a porção cinéfila do Museu de Arte Moderna, ancorado no eterno Arteplex (há anos redivivo sob os bons augúrios do Itaú) revê um dos pilares da brasilidade em nossas telas, com apresentação de Cacá Diegues. O produtor e fotógrafo Luiz Carlos Barreto e o poeta Geraldo Carneiro vão comentar o cult que pavimentou a estrada dos tijolos amarelos por onde o Cinema Novo sonhou uma nova representação de Brasil. José Quental, do MAM, assume a mediação.
“Desde o começo, busquei pessoas que vivessem o Brasil para falar de nosso país, com uma propriedade rara: a propriedade dos que sentem na pele a exclusão”, disse Nelson, em uma entrevista ao P de Pop, um ano antes de sua morte. “Escalar atores é parte essencial da construção de um filme, pois eles serão seus parceiros. Para que isso funcione, eu não aplico testes. Não acredito neles. Sigo um outro método: entrevista. Eu entrevisto os meus candidatos, para saber o que eles pensam da história que eu quero contar, sobre a responsabilidade de estar no set, sob cinema. A escolha se dá a partir do tanto de doação que eu sinto de cada ator nessa entrevista. Dali nasce o filme. E as parcerias”.

Antes de fazer “Rio 40 graus”, Nelson trabalhou no “Jornal do Brasil” como copidesque. “Era revisor, trabalhando diariamente na redação da Av. Rio Branco. O JB foi muito generoso comigo quando quis partir para filmar e me liberou sem problemas”, disse o diretor. “Levei para o cinema valores que simbolizavam a força do povo brasileiro”.
No início dos anos 1980, Stanley Kubrick (1928-1999) convidou Nelson para dirigir a dublagem brasileira de “O Iluminado” (1980), numa prova do prestígio internacional do cineasta, que teve seu penúltimo longa, o .doc “A Música Segundo Tom Jobim” (2012), exibido em Cannes, em uma projeção de gala.

p.s.: Cafona, mas eletrizante, a minissérie “Drácula”, com o dinamarquês Claes Bang, é deliciosamente perturbadora, capaz de refrescar as cartilhas do terror nas estéticas de streaming. E Dolly Wells, a Irmã Aagatha, é a primeira heroína de peso de 2020.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: