‘Na cama com Victoria’ e com o Varilux

‘Na cama com Victoria’ e com o Varilux

Rodrigo Fonseca

30 de abril de 2020 | 15h14

Uma das maiores atrizes francesas do momento, Virginie Efira protagoniza “Na Cama Com Victoria”

Rodrigo Fonseca – #FiqueEmCasa
Tá rolando Festival Varilux online, com 50 longas-metragens em exibição gratuita, para levar o charme do cinema francês à 40ena, tendo entre suas principais atrações o cult “Na Cama Com Victoria” (no original, “Victoria”), comédia que devassa convenções morais da representação do feminino. A direção é de Justine Triet, cineasta de 41 anos, conhecida por filmes como “Solférino” (2009), respeitada pela crítica internacional por seu humor ferino e sua mirada existencial para a luta das mulheres contra as violências de gênero. Seu longa pode ser visto no www.variluxemcasa.com.br. Nele, temos “a” estrela do momento no cinema francês, Virginie Efira (de “Um amor à altura”), que esteve nas páginas da edição de janeiro da revista “Cahiers du Cinéma” nas fotos do esperado “Benedetta”, de Paul Verhoeven, do qual será a protagonista. E Virginie gravita com elegância do trágico ao hilário no papel de Victoria Spick, advogada abalada por um vazio sentimental. Convidada para um casamento, ela encontra na festa seu velho amigo, Vincent (Melvil Poupad), e ex-traficante Sam (o genial Vincent Lacoste), um criminoso de meia tigela que ela conseguiu inocentar. No dia seguinte, Vincent é acusado de tentativa de homicídio por sua namorada. A única testemunha do episódio é o cão da vítima. Relutante, Victoria aceita defender Vincent, enquanto contrata Sam como babá. É o início de uma série de reviravoltas seu cotidiano.
“Existe uma química afinada entre Virginie e eu, que me ajudam a encontrar um tom de representação que foge dos artificialismos. Encontrei em Virginie uma grande amiga, mas também uma parceira que se põe à prova no set, aceitando se adequar à direção complexa que eu proponho a cada plano, buscando uma forma de expor a verdade e o mal-estar que existem por trás das aparências nas relações do dia a dia”, disse Justina ao P de Pop. “A ficção hoje está muito refém da estrutura narrativa das séries. Eu sou fã de várias. Mas, no cinema, você tenta verticalizar as ações, explorar o âmago dos personagens”.

Seu filme mais recente, “Sibyl”, foi um dos destaques do Redez-vous Avec Le Cinéma Français, um fórum promocional idealizado para atrair os holofotes mundiais para a nova safra da França no audiovisual. Toda a vitalidade e a diversidade de gêneros dos franceses em circuito foram celebradas de 16 a 20 de janeiro em Paris, com a presença de cerca de 100 artistas, entre atrizes de fama mundial, galãs queridos por plateias de múltiplas línguas e cineastas de veia autoral. Nele, temos “a” estrela do momento no cinema francês, Virginie Efira (de “Um amor à altura”). E ela gravita com elegância do trágico ao hilário no papel de uma terapeuta às voltas com uma paciente com os nervos em frangalhos: uma atriz (Adèle Exarchopoulos, de “Azul é a cor mais quente”) cujo namorado traiu sua confiança. Sibyl (Efira) precisa atender a moça no meio de um set de filmagem comandado por uma diretora enervada (a alemã Sandra Hüller, de “Toni Erdmann”) onde tudo ameaça dar errado. Inclusive a psicóloga. Indicada à Palma de Ouro, a produção é o trabalho de maturidade de Justine.

“É muito comum você ir ao cinema, encontrar homens de moral torta e torcer por eles. Sou mulher, mas sempre me identifiquei com esses homens, não apenas pela condição humana, que está ali refletida, mas pelo fato de não vermos personagens mulheres nesse mesmo lugar. As mulheres são sempre modelos de alguma coisa, seja ele qual for. Isso até na TV, onde caí de amores por uma figura monstruosa como o Don Draper de ‘Mad Men’ ou Tony, de ‘A Família Soprano’. Mas você não vê mulheres imorais como protagonistas. Quando elas aparecem, o público as rejeita. O que eu tento, no cinema que faço, é buscar empatia entre o público e essas mulheres de moral irregular, sem seguir padrões de obediência a um poder vigente”, explica Justine, que estudou Belas Artes e se especializou em pintura. “O grande desafio narrativo de filmes como ‘Sibyl’ e ‘Na Cama Com Victoria’ é encontrar um ritmo preciso nas falas, sem ficar refém de uma massa de diálogos”.

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