‘My heart will go on’ com ‘Aline’

‘My heart will go on’ com ‘Aline’

Rodrigo Fonseca

15 de janeiro de 2021 | 08h49

RODRIGO FONSECA
Mobilizada desde quarta na 23º edição do Rendez-Vous Avec Le Cinéma Français, a classe criativa audiovisual de Paris, Marselha, Toulouse, Nice e arredores é craque em dramédias ou melodramas inspirados na vida de suas aves canoras, de suas estrelas da canção, como prova “Dalida” (2016), de Lisa Azuelos, ou “Piaf – Um Hino Ao Amor” (2007), de Olivier Dahan. Na atual maratona francófona, que se realiza em Paris, sob árduos protocolos de segurança, e se espalha pelo mundo online, o “Cassino do Chacrinha” da vez é “Aline”, divertido exercício de paródia/ homenagem prestado pela atriz e cineasta Valérie Lemercier. Badalada por cá dois Varilux(es) atrás com “50 São Os Novos 30”, que também dirigia e estrelava, ela dá um banho de carisma numa releitura dos feitos biográficos da cantora de origem canadense Céline Dion, aquela mesma, do “My Heart Will Go On”, de “Titanic” (1997). Trata-se não de uma biopic, à la “Bohemian Rhapsody” (2018), mas de uma “ficção livremente inspirada pela vida de Céline”, apoiada em um elenco AA do Canadá. Na trama, a família Dior vê sua filha mais moça, Aline, virar uma estrela internacional, em meio a um casamento que desafia convenções geracionais. Seu marido no longa, Guy-Claude, é cerca de 25 anos mais velho, como aconteceu na vida real com René Angelil, empresário e parceiro de vida de Céline. Esta tem uma voz singular entre as divas do cancioneiro romântico. Valérie, que não é nenhuma soprano, convocou a cantora Victoria Sio para dublá-la.
Em entrevista ao P de Pop via Zoom, Daniela Elstner, diretora da Unifrance (entidade responsável pelo Rendez-Vous, promovendo a circulação de curtas e longas de sua pátria pelo mundo) citou “Aline” como uma das apostas mais fortes da França nas telas. “Apesar de toda a dificuldade imposta pela pandemia, não tivemos decepções em nosso cinema em 2020, pois muitos de nossos filmes conseguiram ter uma carreira comercial e surpreender em meio a todos os problemas relacionados à covid-19. Este ano temos desde um longa inédito de Leos Carax a comédias populares e o filme de Valérie baseado em Céline Dion é um título capaz de atrair atenções”, disse Daniela ao Estadão.

Os demais destaques deste Rendez-Vous são:
“POLICE”, DE ANNE FONTAINE: Filme de encerramento da Berlinale 2020. Este mergulho no universo da PM de Paris parte dos conflitos afetivos de três agentes da Lei na condução de um imigrante ilegal para fora de um país hoje assombrado pelo fantasma da xenofobia. O carisma de Omar Sy (de “Intocáveis”) é vitaminado pela dobradinha com a atriz Virginie Efira. Sy virou “o” astro da streaminguesfera neste momento, graças ao fenômeno que “Lupin” virou.

“SLALOM”, DE CHARLÈNE FAVIER: Amparado numa sofisticada fotografia, colecionando tons de azul e vermelho para traduzir os estados de espírito de sua protagonista, este estudo sobre a microfísica do Poder segue os ritos de passagem de uma jovem atleta de esqui na neve (Noée Abita) às voltas com as obsessões de seu instrutor, o ex-campeão Fred (Jérémie Renier).

“LES DISCURS”, DE LAURENT TIRARD: Encarada como um candidato a blockbuster, a nova comédia do realizador de “O Pequeno Nicolau” (2009) acompanha os dilemas de Adrien (Benjamin Lavernhe) diante do término de seu namoro. Em meio a uma reunião familiar, ele é convocado a fazer um discurso no casamento de sua irmã, que nunca entendeu seu jeitão. Numa hilária narrativa, Tirard quebra a quarta parede e faz Lavernhe conversar com o público.

“UN TRIOMPHE”, DE EMMANUEL COURCOL: Sensação na edição pocket do Festival de Cannes, esta dramédia narra a luta do ator e encenador fracassado Étienne Carboni, vivido por Kad Merad, para encenar “Esperando Godot” com uma trupe de presidiários.

“DE GAULLE”, DE GABRIEL LE BOMIN: No auge do sucesso depois que gravou um disco com canções de Yves Montand, o ator e cantor Lambert Wilson dá vida ao estadista Charles de Gaulle (1890-1970) em um episódio tenso: em 1940, ele precisa encontrar uma estratégia para poder resistir ao avanço dos nazistas.

“LES 2 ALFRED”, DE BRUNO PODALYDÈS: O realizador de “Um Doce Refúgio” (2015) divide as telas com o irmão, Denis Podalydès, nesta hilária reflexão sobre reposicionamento profissional de quem já está na faixa dos 50 anos. Denis vive Alexandre, um desempregado pai de família que cuida com dificuldade dos filhos (uma bebê e um guri de uns 4 anos). Ele arruma trabalho numa empresa de tecnologia cujo dono odeia crianças. E isso acontece em meio a um torneio de drones.

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