MUBI, um menu de iguarias pro deleite cinéfilo

MUBI, um menu de iguarias pro deleite cinéfilo

Rodrigo Fonseca

25 de julho de 2020 | 12h39

Cena de “Atlantics” (2009), da diretora Mati Diop: gênese do longa homônimo da mesma realizadora, laureado em Cannes em 2019

Rodrigo Fonseca
Tá na MUBI, tá em casa: não dá pra viver sem uma plataforma (de curadoria, como ela define a si) que junta Mati Diop, Abel Gance, Scorsese e Julia Murat, e “As Hiper-Mulheres” com igual espaço, oferecendo fortunas críticas, abrindo discussões. Neste fim de semana chegou “A Terceira Geração” (1979), de Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), de quem o streaming já havia recebido “Lola” (1981) e de quem receberá “O Desespero de Veronika Voss” (1982), na terça. No início da semana chegaram “A Portuguesa” (2019), de Rita Azevedo Gomes; “Paris” (2008), de Cédric Klapisch; e “Los Silencios”, que Beatriz Seigner levou à Quinzena de Cannes há dois anos. Pela frente, temos: “Ponette” (1996), de Jacques Doillon, neste domingo; dia 31/7, rola “Entre Amigas” (1960), de Claude Chabrol; “Giraffe”, de Anna Sofie Hartmann; e lá pelo meio do mês vai ter retrospectiva de Barbet Schoreder, com “Général Idi Amin Dada: Autoportrait” (1974). Em 28/8, um filme inédito no Brasil ganha um lugar ao sol (dos internautas) na MUBI: “Matthias & Maxime”, do canadense Xavier Dolan, indicado à Palma de Ouro no ano passado, com uma história de amor inusitada entre dois amigos.
“De março até hoje, nosso número de subscribers dobrou e nosso viewing aumentou em 300%, trabalhando com uma curadoria humanizada. Isso quer dizer que nossa equipe de curadoria acredita ser importante que um filme que traga uma reflexão importante precisa ser conhecido, independentemente se for um cult, um clássico, uma produção independente, uma narrativa de gênero”, diz Juliana Barbieri, gerente para o Brasil da MUBI, que, ativa há 12 anos, opera hoje em 200 países, tendo um QG em Londres, trabalhando na web por assinatura. “Tentamos acompanhar as questões que estão acontecendo no mundo no momento e trazer para a discussão filmes que alimentem debates, com mensagens importantes, como ‘Espero a Tua Revolta’, ‘Malcolm X’ e ‘Atlantics’. Dar visibilidade para curtas é outra meta de nosso trabalho, que tenta, ao máximo, unificar suas ações com o time de aquisições de outros países, trazendo mais pluralidade”.

“Los Silencios”, de Beatriz Seigner

Há, no www.mubi.com, uma aba só para o festival paranaense Olhar de Cinema e uma outra, chamada Uma Odisseia Através do Cinema Brasileiro Contemporâneo, que traz títulos com o selo do Canal Brasil. Estão ali longas-metragens recentes, laureados em Locarno (“As Boas Maneiras”), Berlim (“Bixa Travesti”) e Cannes (“Diamantino”, uma coprodução portuguesa), além do ganhador do Urso de Ouro de 1998: “Central do Brasil”. “Criamos um relacionamento importante com festivais, distribuidoras, com a O2, com o Canal Brasil. Foi esse o caso de uma parceria muito bacana com o projeto Sessão Vitrine. Essa parceria nos permitiu exibir filmes recentes importantes e de prestígio. O especial do Olhar de Cinema de Curitiba também tem sido muito importante pra gente. Manter o Brasil na programação é um default já… com filmes importantes como ‘Indianara’, quem vem tendo uma adesão grande do público”, diz Juliana ao Estadão, destacando, do cardápio internacional atual, a aclamada produção finlandesa “Dogs Don’t Wear Pants”, de J. P. Valkeapää, importada de Cannes. “Temos uma seção de aluguéis para pessoas que ainda não são assinantes terem uma oportunidade de ver um filme específico”.

Vale conferir na MUBI o legado do maior semiólogo das telas, o franco-suíço Jean-Luc Godard, hoje com 89 anos. Dele, a plataforma tem despejado pesquisas sobre aparelhos ideológicos da linguagem: “Para Sempre Mozart” (1996), “Détective” (1985) e “Numéro Deux” (1975). E vai ter mais Godard, pois se a ideia é fomentar o cinema de invenção, o papa dessa linhagem não pode estar de fora. Da vasta obra godardiana, chegam “Atenção à Direita” (1987) e a primeira parceria dele com sua mulher, a suíça Anne-Marie Miéville, “Comment Ça Va” (1976).

JLG por JLG: Godard, em capa recente da “Cahiers du Cinéma”, é uma das fortunas da MUBI

p.s.: Estreia hoje o canal Trace Brazuca, dedicado a cultura negra do país e do planeta todo, dando tela ao belíssimo “Rainha”, da cineasta Sabrina Fidalgo, às 19h30.

p.s.2: Às 13h50, a Globo dá um presente aos cinéfilos e aos fãs do romantismo ao exibir “Uma Linda Mulher” (“Pretty Woman”, 1990), com Julia Roberts e Richard Gere no auge do lirismo. Orçada em US$ 14 milhões, a produção arrecadou US$ 463 milhões. Na versão brasileira da década de 1990, Vera Miranda dublou Julia e Ricardo Schnetzer deu voz a Gere. Numa trama à la “Pigmaleão”, uma garota de programa e um milionário vivem uma paixão digna de contos de fadas, para provar que cavaleiros de armadura existem, sim, assim como amores perfeitos.

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