Mostra reúne filmes nacionais cercados de prestígio – e prêmios – no exterior

Mostra reúne filmes nacionais cercados de prestígio – e prêmios – no exterior

Rodrigo Fonseca

04 Agosto 2016 | 13h35

Indicado ao Oscar, o longa

Indicado ao Oscar, o longa “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, inaugura a mostra Do Brasil Para o Mundo, no CCBB-RJ

RODRIGO FONSECA

Duas produções brasileiras inéditas em circuito conseguiram espaço em alguns do maiores festivais do Velho Mundo: O Beduíno, de Julio Bressane, vai para Locarno, que começou na quarta, na Suíça, e Era o Hotel Cambridge, de Eliana Caffé, vai para San Sebastián, na Espanha, de 16 a 24 de setembro. E já batemos ponto em Berlim e Cannes, com direito a Aquarius, de Kleber Mendonça, na disputa pela Palma de Ouro. Há, portanto, um interesse lá de fora por nossos filmes, expresso, por exemplo, pelo recente fenômeno (de público e crítica) que se forma hoje na Europa e na Ásia em torno de Tudo o Que Aprendemos Juntos, de Sérgio Machado, que bomba em salas suíças e francesas, preparando-se para estrear na Espanha, no Japão e na Coreia do Sul. Sintonizado com essa movimentação e com todo boca a boca estrangeiro em torno do Brasil por conta das Olimpíadas, o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB-RJ) aproveita essa visibilidade que o cinema nacional ganha lá fora para sediar, a partir desta sexta-feira, dia 5 de agosto, uma maratona de curtas e longas-metragens feitos aqui que explodiram no exterior. Com curadoria de José de Aguiar e Marina Pessanha, essa retrospectiva se chama Do Brasil Para o Mundo e vai até o dia 22, revisitando pérolas recentes que alcançaram discussão sobretudo no Velho Mundo e nos EUA, como O Som ao Redor, Casa Grande, Que Horas Ela Volta? e Boi Neon.

 Para a abertura, nesta sexta, às 16h, tem O Menino e o Mundo, obra-prima da animação brasileira que rendeu uma indicação ao Oscar para Alê Abreu. No sábado, rola a projeção de dois cults revelados ao planeta via Cannes: A Festa da Menina Morta (2008), de Matheus Nachtergaele, às 16h30m, e Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, às 19h. Domingo serão exibidos dois concorrentes à estatueta de melhor filme estrangeiro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood: O Que é Isso, Companheiro? (1997), de Bruno Barreto, às 14h, e Central do Brasil (1998), de Walter Salles, às 19h.

“O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”: prêmio em Cannes

Há também um programa de curtas indispensável, no dia 11, às 17h, com Dreznica (2008), de Anna Azevedo; O Duplo (2012), de Juliana Rojas; Ilha das Flores (1989), de Jorge Furtado; e Pouco Mais de um Mês (2013), de André Novais. No dia 13, às 15h, há uma chance de se curtir em tela grande o obrigatório A Hora da Estrela (1985), de Suzana Amaral, premiado em Berlim. No mesmo dia, às 17h, tem O Quatrilho, de Fábio Barreto, que brigou pelo Oscar em 1996.

Para o finalzinho da mostra, no dia 20, às 17h, foi escalado O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), pelo qual Glauber Rocha ganhou o prêmio de melhor direção na Croisette, no auge da ditadura militar brasileira. É um filme mítico, que sempre merece uma visita atenta.