‘Miral’ renasce online, no MUBI

‘Miral’ renasce online, no MUBI

Rodrigo Fonseca

17 de fevereiro de 2020 | 18h08

Julian Schnabel no set de “Miral”

Rodrigo Fonseca
Perdido entre filmes plasticamente exasperantes como “Antes do Anoitecer” (2000) e “No Portal da Eternidade” (2018), que catapultaram o pintor e cineasta bissexto Julian Schnabel a uma condição de prestígio como realizador, “Miral” (2010) passou anos sem ser percebido, afogado em polêmicas políticas, até ressuscitar, nesse fim de semana, na grade do MUBI. Uma das mais tocantes produções dirigidas por Schnabel, este drama sobre intolerância acaba de entrar para o streaming do cinema de risco. Indicado ao Leão de Ouro do Festival de Veneza há uma década, a adaptação do livro homônimo da jornalista e escritora Rula Jebreal saiu do Lido com láureas dadas pela Unesco e pelo Unicef por sua representação dos horrores vividos por crianças em zonas de guerra. Seu foco está na reconstituição da luta de Hindi Husseini (a israelense Hiam Abbass) para manter de pé uma escola que serve de abrigo para meninas palestinas órfãs. Miral (a indiana Freida Pinto, de “Quem quer ser um milionário?”) é uma das garotas acolhidas por Hindi. A personagem de Freida foi abandonada pela mãe quando pequena, na trama que a própria Jebreal escreveu. Ao entrar na adolescência, ela vira uma aguerrida militante. Indicado ao Oscar em 2008 por “O Escafandro e a Borboleta”, pelo qual recebeu o prêmio de melhor direção em Cannes, Schnabel pensou a saga de Miral como uma denúncia contra a opressão violenta contra o povo da Palestina após a criação do Estado de Israel. “Existe uma forte miopia no audiovisual acerca dos traumas do mundo e sobre o próprio papel de transformação do cinema”, disse Schnabel ao P de Pop à época da carreira internacional do longa, em um festival no Qatar. “Que crianças vão sobrar para contar a história do mundo e reconfigurar o futuro? Esse filme parte dessa inquietação. Eu não tenho uma formação inicial como cineasta e sim como artista plástico. Por isso, imagem é algo que só para de pé pra mim como transcendência, como algo que vaza a objetividade”.

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