Millennium Falcon voa nesta ‘Tela Quente’

Millennium Falcon voa nesta ‘Tela Quente’

Rodrigo Fonseca

27 de setembro de 2021 | 14h38

RODRIGO FONSECA
Tem “Star Wars” hoje na “Tela Quente”, sob a direção de Ronald William Howard: tem “Han Solo”, às 23h desta segunda, na Globo. Mesmo castigado pela crítica e esnobado por parte dos fãs da franquia, a produção de US$ 295 milhões faturou US$ 392 milhões nas bilheterias. O Festival de Cannes acolheu sua première global, em 2018. Assim que pisou na Croisette e foi designado para a maratona promocional do filme, o ator californiano Alden Ehrenreich, de 31 anos, estampava no rosto o sorriso de quem recebeu a aprovação de um mito. O motivo? Num papo para o canal oficial de TV do festival francês, ele afirmou ter recebido a bênção de Harrison Ford, o Han Solo original, na forma de um “Segue em frente”. Howard – que está finalizando o thriller “Thirteen Lives”, com Viggo Mortensen, emprestou à aventura sideral do mercenário das estrelas um charme de que a TV aberta vai desfrutar esta noite.
“Não é todo dia que se tem uma resposta assim de alguém como Ford”, disse o cineasta, que, em sua juventude, contracenou com Harrison em “American Graffiti” (no Brasil, “Loucuras de Verão”), o primeiro sucesso do então novato George Lucas, criador da saga Star Wars.
É por isso que ele assumiu, às pressas, o comando deste divertido tomo da cinessérie criada por George Lucas em 1977, impregnando esta história de formação com sua marca pessoa: eficiência acima de tudo, sem nunca deixar a temperatura sair do morno. Dono de filmes memoráveis, porém, sempre bem comportados, como “Splash – Uma Sereia em Minha Vida” (1984) e “Apollo 13” (1995), Howard só foi além das CNTP de seu cinema mauricinho no genial “Rush” (2013) e em “Frost/ Nixon” (2009). De resto, ele é sempre contido, careta, na média, como se vê nesta aventura sideral sem o tom épico comum a Star Wars.

O que existe de melhor no filme é Alden, mostrando que, na prática, o endosso de Ford valeu a pena. Ele faz do jovem Solo um malandrão abusado, mas romântico, fiel a um amor por sua conterrânea Qi’ra (Emilia Clarke, ótima), que é separada dele logo nos frenéticos minutos finais. O vacilo de Howard, na direção da narrativa, foi ter concentrado demais a ação (tiros, fugas, lutas) nos extremos do filme, criando flacidez entre os atos e diluindo as raras tiradas cômicas. Apesar de todo o carisma de Donald Glover, sua versão para Lando Calrissian não tem a picardia característica do ladino espacial. Seu Lando é emotivo demais, é bonzinho em demasia, é muito… Ron Howard. Mas… ok! Na telinha, o filme cresce, um bocado, sobretudo com a boa dublagem da Group Digital. Fabrício Vila Verde dubla Alden e a ótima Fernanda Bullara dá voz a Emilia. Gabriel Noya empresta o gogó a Lando.
Na trama, somos apresentados aos fotos que justificam: a) como Han ganha o sobrenome Solo; b) como se torna amigo de Chewbacca; c) como aprende a ser piloto; e d) como começa a guiar a Millennium Falcon. Seu mentor é um soldado da fortuna de índole torta, vivido por Woody Harrelson.

p.s.: O musical infantil “Gabriel só quer ser ele mesmo” volta ao cartaz, neste sábado, levando à cena uma história que, com leveza e humor, questiona as diferenças na educação de meninos e meninas e as expectativas de pais e professores em relação às crianças. Com texto da premiada Renata Mizrahi, direção de Renata e Priscila Vidca e direção musical de Marcelo Rezende, o espetáculo, que fez apenas uma pequena temporada antes da pandemia, será apresentado no Teatro PetraGold, no Leblon, e virtualmente, com ingressos pelo Sympla. Gabriel é um menino de 8 anos que gosta de dançar balé e escrever poesias, ao mesmo tempo em que joga futebol e toca rock. Mas tem um problema: na escola onde estuda, ele é constantemente desencorajado a fazer atividades consideradas de menina. Será que o garoto vai desistir de fazer o que gosta para se adequar aos padrões sociais de gênero?

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