Miles Morales, herói pra Eternidade

Miles Morales, herói pra Eternidade

Rodrigo Fonseca

20 de março de 2021 | 15h28

RODRIGO FONSECA
Que jogaço é o disco “Homem-Aranha – Miles Morales” do PS4, com sua direção de arte irretocável e seu sufocante efeito de vertigem, reforçado a cada salto do herói. Sua eficácia, na dinâmica do PlayStation, evoca o belíssimo filme sobre Morales que rendeu à Marvel o Oscar de melhor longa-metragem de animação, em 2019, além de uma bilheteria de US$ 375 milhões.

Laureado ainda com um merecidíssimo Globo de Ouro, “Homem-Aranha no Aranhaverso”, produção de US$ 90 milhões, impressiona por sua experimentação formal na fusão de técnicas, da computação gráfica ao desenho em 2D. É, talvez, o mais ambicioso experimento da indústria animada nos EUA, tanto na engenharia narrativa quanto na dramaturgia, uma vez que adapta a mais complexa saga do Lançador de Teias nos últimos anos. Aliás, o resultado na telona flui melhor do que nas HQs, valorizando, com revelo tocante, o jovem negro com poderes quase iguais (com algumas melhoras) aos de Peter Parker: o adolescente Miles Morales. A construção dramática do rapaz – filho de um policial e de uma enfermeira hispânica – é um feito à altura do “Pantera Negra” (2018) quando se pensa na representação das populações negras, o que só mostra a evolução ética da Marvel. Dublado na versão brasileira por Cadu Paschoal e, nos EUA, por Shameik Moore, Morales é a medida de humanismo desta aventura sobre diferentes planos de realidade que se fundem a partir de diferentes seres dotados com a força aracnídea. Inclua entre eles um porco falante, tipo Gaguinho, que acaba de ganhar o gibi só dele por aqui. Ele é um dos indícios do empenho da trinca de diretores Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman em criar um filme-tributo à história da animação, com alusões à série de TV desenhada do Aranha nos anos 1960. Essas referências (discretas) ao passado e o explícito réquiem para o pai espiritual da Marvel, Stan Lee (dublado aqui por Carlos Seidl, a voz do Seu Madruga), salpicam afeto em uma trama em tom de thriller, centrada na luta dos Aranhas para debelar um plano do vilão Rei do Crime enquanto Morales amadurece, como herói e como gente. É uma mistura de “Dope” com “Clube dos Cinco”, regada a fantasia e humor, sobretudo na genial cena pós-crédito.

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