‘Um Tio Quase Perfeito 2’ estreia dia 7

‘Um Tio Quase Perfeito 2’ estreia dia 7

Rodrigo Fonseca

05 de janeiro de 2021 | 14h22

RODRIGO FONSECA
Visto por cerca de 600 mil pagantes em 2017, quando despontou no circuito como sendo uma surpresa comercial (e estética) de delicadeza rara, “Um Tio Quase Perfeito”, de Pedro Antonio, ganhou uma bem-vinda continuação, que estreia nesta quinta-feira, inaugurando o circuito de lançamentos nacionais de ficção em 2021. Marcus Majella uma vez mais comprova ter um carisma GG para atacar de protagonista, numa trama que arranca quilos de risos e algumas lágrimas, em especial quando Eduardo Galvão (morto no dia 7 de dezembro, em decorrência da covid-19) aparece. Candidata a blockbuster, a nova trama resgata a figura do gaiato Tio Tony, um aspirante a Mrs. Doubtfire, a “Babá Quase Perfeita” de Robin Williams, dos anos 1990. Nesta parte II da franquia, Tony ainda reina soberano no coração dos sobrinhos, Patricia (Julia Svacinna), Valentina (Sofia Barros) e João (João Barreto), deixando seu sofrível histórico de trambiqueiro pra trás. Ele vive em perfeita harmonia com seus parentes até a chegada do empresário de alimentos orgânicos Beto (Danton Mello), que rouba o coração de Ângela (Letícia Isnard, ótima), irmã de Tony e mãe das Crianças. Com ciúmes desse intruso metido a vegano, Tony entra numa disputa contra o futuro cunhado, aprontando toda a sorte de golpes para desmascará-lo. Cada vez mais maduro em sua composição de tipos, Danton injeta humanidade na figura de Beto, construindo-o numa linha tênue entre fragilidade e chame. Na entrevista a seguir, Pedro Antonio fala sobre como esse ensaio sobre novos arranjos familiares foi concebido.

Qual é a representação de “família” que a franquia “Um Tio Quase Perfeito” busca explorar e de que maneira as situações cômicas retratadas no longa traduzem ou refletem conflitos reais dos novos arranjos familiares do Brasil?
Pedro Antonio:
O “Tio Quase Perfeito” olha para a família plural, a família que hoje tem infinitas combinações de formação. No nosso caso, há a junção de duas famílias. É muito comum termos pais que se casam pela segunda vez, e, por vezes, isso pode resultar num certo embate familiar. O humor que o filme retrata, por meio do ciúme do Tio Tony, foi o caminho encontrado pra descobrirmos onde repousam nossos medos e nossas aceitações. Olhar pro outro e se colocar na pele do outro é um tema atual, e precisa ser vivido intensamente, conforme nossas relações humanas se aprofundam.
Qual é a principal característica de humor do Majella e de que maneira ele refina a figura de Tony entre um filme e outro?
Pedro Antonio
: Uma das principais características do Majella é personificar um tio atual, com todas as imperfeições, sem medo de se expor ao ridículo e tirando sarro de tudo… até perceber-se no erro e tentar sinceramente modificar-se. A redenção é uma busca dele no filme. Mas, falando especificamente de seu humor, vejo uma combinação absurda de inteligência e carisma. Ele sabe se colocar em cena com um pensamento cômico sempre atento. É raríssimo ver ele perdendo uma piada ou errando um timming. É um ator que se cobra demais em cena. Enquanto ele não sente que está engraçado, ele não descansa. O que é ótimo pra quem o dirige.
O primeiro longa fazia uma afetiva homenagem a “Uma Babá Quase Perfeita”, mas incorrendo numa dose farta de brasilidade. Qual é o Brasil que está representado nesse universo de Tony?
Pedro Antonio:
Acho que são alguns. É o Brasil orgânico, o Brasil vira-lata que precisa de esperteza pra sobreviver. É o Brasil do afeto, da vontade de amar o outro. É o Brasil que se descobre na pluralidade familiar. Acho que o filme tenta ser um extrato de conflitos e temas que vivemos em nossas famílias.
A montagem do segundo filme valoriza as tiradas cômicas mas ressalta o tom afetivo mais dramático. Como foi pensada a edição?
Pedro Antonio:
Pensamos no modelo de narrativa clássica: enfatizar no humor e no ritmo pra envolver o espectador, que aos poucos vai imergindo na história, entendendo os dramas, vivendo os diálogos para que aos poucos torça, emocione-se e sinta-se envolvido na trajetória do Tio Tony. Aliás, o Tio Tony é o condutor desse ritmo. Ficamos atentos a uma edição que fizesse rir, mas que não perdesse a matéria da dramaturgia.

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