‘Meu Rei’ leva a força da Paixão ao Varilux

‘Meu Rei’ leva a força da Paixão ao Varilux

Rodrigo Fonseca

07 de junho de 2016 | 12h09

Maïwenn dá instruções a seus atores do set de

Maïwenn dá instruções a seus atores do set de “Meu Rei”: Emmanuelle Bercot e Vicent Cassel

Dona de um dos rostos mais belos da história do cinema francês a modelo, atriz, cineasta e delícia Maïwenn Le Besco, diretora do premiado Políssia (2011), entra na programação do Festival Varilux 2016 – que vai de amanhã, dia 8, até 22 de junho, em 50 cidades do Brasil – com uma ode ao romantismo mais desvairado: Meu Rei (Mon Roi), um filme polêmico, mas do qual não se sai ileso. Foi uma aposta corajosa da curadoria de Christian Boudier, por escancarar abismos da alma feminina, com uma beleza visual arrebatadora, mas a partir de um mergulho melodrama mais descabelado possível. Idolatrada pela indústria e mesmo pela ala mais xiita da crítica europeia, a diretora do premiado Políssia (2011) realiza aqui um ensaio comovente sobre a vida a dois a partir da relação entre um empresário egoísta (Vincent Cassel) e a mulher que abre mão de tudo em amor a ele. Esta é vivida por Emmanuelle Bercot. O desempenho dela foi laureado com o prêmio de melhor atriz em Cannes, em 2015, empatado com Rooney Mara.

“Homens e mulheres encarem o amor com passionalidade, isso é indistinto. O que me interessa aqui é a aquestão do poder, da dominação”, disse Maïwenn ao P de POP em Cannes. “Aqui é tudo um assunto de pressão: uma pressão que se eleva a cada cena conforme um vai entrando e se instalando no mundo do outro”.

 

Visto por 615 mil pagantes na França, Meu Rei se alimenta do desempenho impecável do ator Vincent Cassel, ao detalhar o relacionamento de dez anos de um casal. E não há como ser negar a beleza plástica da produção, na fotografia de Jakob Ihre. Nos primeiros minutos de “Mon roi”, a advogada Tony (Emmanuelle) sofre um acidente de esqui e machuca o joelho gravemente. Enquanto se recupera, ela relembra de seu passado afetivo, abrindo uma deixa para Maïwenn fundir passado e presente para contar o encontro da protagonista com seu amado, Georgio, defendido por Cassel com a maestria habitual. Georgio é uma espécie de cancêr em vida para Tony. Ao mesmo tempo em que chega todo sedutor, oferecendo a ela um prazer sexual nunca antes provado e dando-lhe um filho, Georgio destrói todo o equilíbrio emocional de sua mulher, entre mil traições, mentiras e ausências.

“Eu venho de uma trilogia narcisista como diretora, onde atuava nos filmes que rodava. Em Meu Rei, eu preferi me afastar, para poder ver com distanciamento o que se passa numa vida a dois num intervalo de dez anos – disse Maïwenn, que estreou como atriz em 1981, tendo participado de cults como O Profissional.

O outro destaque do longa – notável em sua primeira hora – é o desempenho de Louis Garrel, o galã dos galãs jovens da França na atualidade. Para viver o irmão de Tony, Garrel abre mão de seu charme habitual, vivendo um tipo de pouco viço, conformado em ser um ombro amigo para sua maninha carente.

Para encontrar os horários de Meu Rei e das demais atrações, basta acessar o site: http://variluxcinefrances.com/2016/programacao/

 

 

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